VERDES (E NEGRAS) DA SEMANA

VERDES (E NEGRAS) DA SEMANA

Netbook verde

A Sony anunciou nesta semana o lançamento de seu primeiro netbook ecológico no Brasil. O Vaio W-Eco tem 80% das peças plásticas produzidas a partir de material reciclável – CDs e DVDs descartados, triturados e lavados são misturados a 20% de material virgem, para uso, por exemplo, no revestimento externo do equipamento portátil.
Em vez da tradicional embalagem de papelão, com muito plástico e isopor, o netbook é entregue numa simpática bolsa, cuja produção também vem da reciclagem de garrafas PET. O manual de instruções – claro – é eletrônico, dispensando o uso de papel.
Com tela de 10.1 polegadas, 2 GB de memória RAM, HD de 320 GB e sistema operacional Windows 7 Starter Edition instalado, o Vaio W-Eco já está sendo vendido ao preço de R$ 2.099,00 – cerca de 100 reais a mais do que um net tradicional, com pouco menos espaço no HD. Ou seja: ser verde, hoje, já não custa tão mais caro quanto se imagina!
Nuvem negra
A densa camada de dados que configura o espaço virtual produz uma nuvem bem real – e literalmente negra – sobre nossas cabeças. É o que afirma um relatório do Greenpeace divulgado esta semana.
Segundo o estudo, Apple, Facebook, Microsoft, Yahoo! e Google são empresas que operam centrais de processamento de dados a partir do uso intensivo de energia gerada pela queima de carvão.
A Apple, que vai lançar o iPad na semana que vem (dia 3 de abril), está construindo uma central de armazenagem de dados em uma região da Carolina do Norte (EUA) cuja eletricidade é gerada por carvão. O mesmo acontece com a nova instalação do Facebook.
Embora afirmem levar em conta as questões socioambientais em suas decisões de negócios e declarem promover medidas agressivas de eficiência energética, as empresas se recusaram a oferecer detalhes sobre suas centrais de processamento de dados. Para consegui-los, o Greenpeace baseou-se em estudo federal norte-americano de 2005 e numa pesquisa do Climate Group e do Global e-Sustainability Iniciative, atualizados com informações da Agência de Proteção Ambiental dos EUA.
Se considerados como um país, os centros de processamento de dados e telecomunicações globais ficariam em quinto lugar em consumo de energia no mundo em 2007: atrás dos Estados Unidos, China, Rússia e Japão (à frente, portanto, dos Brics) – segundo o relatório do Greenpeace.
Imagine, então, o tamanho dessa nuvem de poluição assombrando o planeta!
Se não pela convicção, por que não pelo status?
Não sei se a conclusão se aplicaria ao netbook ecológico do início desta coluna. Mas, diz o estudo de três instituições: o consumo verde ainda é motivado pelo status. O documento produzido em conjunto pela Escola de Administração de Roterdam (Holanda) e as Universidades de Minnesota e do Novo México (EUA) baseou-se numa série de três experimentos feitos com universitários. E apontou, por exemplo, que os consumidores estão dispostos a sacrificar o luxo e a performance para se beneficiar do suposto status social que a compra de produtos com impacto ambiental reduzido pode lhes conferir – como no caso de um carro híbrido.
“Dirigir um carro luxuoso, mas ambientalmente incorreto, comunica a saúde do consumidor mas também sugere que ele é um egoísta e que não está preocupado com nada além de seu próprio conforto. Dirigir um híbrido não só demonstra a saúde do consumidor, porque ele custa muito mais do que um carro convencional, como também sinaliza que o dono se preocupa com os outros e com o meio ambiente”, afirma Bram Van den Bergh, da Escola de Administração de Roterdam.
O estudo recebeu uma chuva de críticas: tanto da indústria automobilística quanto de publicações especializadas em consumo ético, que o julgaram simplista e reducionista em relação à motivação das compras verdes por parte do consumidor. De qualquer forma, os autores têm lá seus argumentos: as descobertas mostram uma maneira ainda inexplorada de motivar comportamento ambientalmente correto.
Pesquisador associado da Cardiff University, do País de Gales, Adam Corner vai ainda mais longe, dizendo que o status social é a chave para a condução do comportamento: “Não é de surpreender que as pessoas escolham sinalizar seu status social por meio do consumo conspícuo de produtos verdes. Até mesmo as que não ligam a mínima para as mudanças climáticas dão importância para o que os outros pensam delas” – dispara o expert em psicologia da comunicação de mudanças climáticas. Para ele, um dos aspectos importantes da pesquisa é mostrar que o poder do status social pode ser aproveitado como uma ferramenta crítica na promoção de mudanças amplas no comportamento em favor do meio ambiente, como, por exemplo, o voto em candidatos “verdes” e o engajamento no ativismo ambiental.
Pois é… se não for pela consciência, status também tá valendo!

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