Uma cobra ativista na marcha global pelo clima

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Quem foi ou viu pela TV a Marcha Global pelo Clima em Belém, realizada ontem, como parte das mobilizações públicas da COP 30, ficou impressionado com a cobra de 30 metros que serpenteou por cinco quilômetros de ruas da cidade—saindo do recém-restaurado Mercado São Brás.

A história dessa cobra é, no mínimo, fabulosa, como fabulosas costumam ser as belas histórias do imaginário indígena.

No final de agosto, ativistas da Amazônia de Pé se reuniram com povos na aldeia de Mupá, na Terra Indígena Capoto Jarina. Na mesma noite em que chegaram à região, a pajé Kamirrã sonhou que uma cobra gigante saía do rio Xingu e passava pelo meio das ocas onde os visitantes dormiam, trazendo uma mensagem clara: todos os povos tinham que se unir na defesa dos territórios.

Liderados por Relison Souza, 16 artistas de Alter do Chão, que fazem o sairé, foram convidados a criar e produzir a escultura do réptil colorido, com a proposta evidente de chamar a atenção do mundo para a necessidade de proteção da Amazônia.

O maior desafio foi transportar uma cobra de 30 metros até Belém.
Foram dois dias a bordo do barco Aliança dos Povos pelo Clima.
Durante a Marcha, a grande cobra foi carregada por mais de 80 ativistas do movimento Amazônia de Pé, num cortejo lúdico e provocativo que chacoalhou a sociedade civil durante a COP 30.

A mensagem não poderia ser mais clara: “Financiamento direto para quem cuida da floresta. A gente cobra!”

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