João do clima, jovem líder que se importa

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Conheci aqui em Belém um jovem líder que se importa com as mudanças climáticas. É o João Victor da Silva, ou João do Clima, um menino de 16 anos, bigode fino querendo aparecer, voz em transição da adolescência para a idade adulta.

Ativista ambiental de Belém (PA), João ganhou destaque graças ao seu trabalho de conscientização sobre os impactos das mudanças climáticas nas comunidades periféricas e insulares da Amazônia. Recém empossado como ativista global do clima pela UNICEF, o menino da ilha de Caratateua, desfilou com garbo e orgulho toda a sua juventude amazônica pelos corredores da COP 30

Chamam a atenção em João o alto nível de empatia, a conexão orgânica com o meio ambiente e o discurso maduro, que lembra mais o de um diplomata do que de um jovem de sua idade. “Gostaria de ser mais adolescente e menos ativista. Mas neste momento não acho possível”, disse, numa entrevista recente à BBC News. “Os tomadores de decisão mundiais estão negligenciando a juventude”, completou João, como se estivesse numa plenária com o incrível Paul Polman.

Para João, a crise climática não é um tema distante. “Ela já está matando muita gente, como foi o caso da minha mãe”, confidenciou. Seu interesse pelo ativismo ambiental –contou– deve-se à perda muito precoce da mãe, em decorrência de um câncer de pele.

No ano passado, Belém foi uma das cidades com temperatura mais elevada no Brasil. “Estamos todos na mesma tempestade, só que em barcos diferentes. Tem gente em iate. Mas tem gente em rabeta e até gente sem barco”, concluiu.

Por mais Joões do Clima e menos líderes públicos e empresariais que negligenciam suas responsabilidades em relação ao futuro da humanidade.

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