Thomas Edison Suzuki – Recessão Americana vs. Responsabilidade Socioambiental

Thomas Edison Suzuki – Recessão Americana vs. Responsabilidade Socioambiental


A retração do mercado estadunidense é ruim para a economia mundial?
Sinais de desaceleração do crescimento da economia nos Estados Unidos são interpretados pelo mercado financeiro como “brutal”, “grave”, “doloroso”, entre outros adjetivos que provocam em nós um sentimento de compaixão pelo “doente” mercado americano. A identificação dos sintomas é praticamente unânime: os sinais de recessão dos Estados Unidos provocam dolorosos efeitos negativos nas economias do mundo inteiro. Por isso, além da simpatia pela fragilidade da saúde da combalida economia, há o medo de contágio, o receio de uma epidemia global.
Há economias que se declaram “imunes”, “descoladas”, “blindadas”. Até agora falamos apenas dos sintomas, mas qual é o diagnóstico? Qual é a doença que estamos enfrentando? Diagnosticada a doença, qual o tratamento a ser indicado? Poderíamos dar vários nomes a essa doença sistêmica globalizada – nomes carregados de eufemismos que diluem a discussão das raízes da doença –, ou apenas um, porém, acusariam-nos de terroristas ou coisa pior. Portanto, seja qual for o nome da doença, escrevemos este artigo com objetivo de questionar: pra onde vai a Responsabilidade Socioambiental das Empresas em momentos de instabilidade econômica? RSE é “artigo supérfluo” e pode ser descartado em momentos de “necessidades”? Não?
Muitos dos colegas responderão que a RSE, hoje, é fundamental para o desenvolvimento sustentável do país, do mundo, da humanidade e da própria empresa; e que a RSE não pode ser abandonada em momento algum, nem nas piores crises, visto que é a iminência de um cenário de insustentabilidade socioambiental que nos move a adotar visão e atitude mais responsáveis. Então, qual o tratamento da doença?
O primeiro remédio ministrado pelo Federal Reserve foi o maior corte da taxa de juros desde 1984. O objetivo é aliviar o financiamento das dívidas (do cartão de crédito, da hipoteca da casa, do financiamento do carro, etc.) para estimular o consumo. Dizem, mas será verdade? No Brasil, quando o Banco Central reduz a SELIC, os juros do crediário também baixam? De um jeito ou de outro, a economia do mundo todo mostra-se suscetível ao nível de consumo dos americanos.
Na verdade, as bolsas de valores, muito mais do que a banca de carne seca de Dona Josina no sul da Bahia. Em outras palavras, “Mercado de Ações” não é o mesmo que “Economia”. Com 81 anos, a mesma idade de Alan Greenspan, Dona Josina mora em uma casa de taipa iluminada por um candeeiro a querosene, cuja luz revela alguns retratos pintados a mão sobre as prateleiras de tábuas. Em recessão ou não, o “consumidor médio americano” não é aquele que consome muito mais gasolina que a média mundial? Mais energia elétrica? Mais plástico, aço, papel? Mais comida, água, roupas? Seria possível um mundo em que nossas Donas Josinas pudessem consumir tanto quanto Mr. Greenspan? Se a estabilidade da economia depende da manutenção do insustentável consumismo americano, então não haverá cultura de RSE que consiga garantir a preservação do meio ambiente, nem a justiça social. Eis que propomos um novo diagnóstico e um novo tratamento profilático para evitar o amargor de remédios cada vez mais agressivos.
Estamos diante de um quadro de readequação de mercados, cuja novidade é a descentralidade da economia americana, devido aos fortes crescimentos de China e Índia. No primeiro momento, as bolsas reagem caoticamente com muita volatilidade. Mais tarde, ganhos inimagináveis vislumbram-se para as empresas que estiverem mais ajustadas às demandas daqueles mercados em expansão. E aqui inicia-se o novo tratamento profilático, caso contrário, veremos a repetição história. O “cultivo” de RSE precisa intensificar-se e ampliar horizontes. O apelo racional técnico, conveniente ao empreendedorismo americano, precisa encontrar alguma ressonância com o confucionismo e o hinduísmo. Ou China e Índia rejeitarão os fármacos ocidentais do XXI e copiarão exatamente a mesma receita desenvolvimentista do XX? Antes de acusá-los pela irresponsabilidade, pela ganância, pela falta de escrúpulos, nós mesmos precisamos questionar se a única “saída” para esta recesssão é o aumento do consumo, seja o americano ou o chinês
*Thomas Edison Suzuki é formado em Sociologia pela UNESP de Araraquara, em Engenharia Elétrica pela Escola Poltécnica da USP e especialista em Cash Management, desenvolve projetos de Responsabilidade Socioambiental com foco nas áreas de Educação e Cultura
e-mail: [email protected]

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