PMEs pulam fases e descobrem os ganhos da sustentabilidade

PMEs pulam fases e descobrem os ganhos da sustentabilidade

Há 20 anos, possuir uma linha telefônica não era comum. Boa parte das cidades não tinha a infraestrutura necessária para conectar as residências à rede física de fios que levava o serviço, tornando a conexão muito cara.

Linhas telefônicas eram propriedades tão valiosas que deviam ser declaradas no imposto de renda. Como conseqüência, apenas o grupo mais rico da sociedade tinha acesso ao serviço.

A realidade mudou. Em 2007, os celulares alcançaram 50% da população mundial. Naquele ano, com o crescimento da demanda na África, China e Índia, 65% dos celulares já eram vendidos em mercados em desenvolvimento, com mais de 1.000 novos consumidores por dia – a grande maioria pessoas que nunca tiveram (e possivelmente nunca terão) uma linha fixa.

Além da necessidade de comunicação, os celulares hoje prestam uma série de serviços fundamentais, como informar o valor de produtos agrícolas e, com isso, melhorar as condições de negociação de comunidades rurais; oferecer um canal anônimo para tirar dúvidas sobre doenças como a AIDS; ou ampliar alternativas de microcrédito.

Um movimento semelhante está acontecendo com a integração de sustentabilidade nos negócios. Quando o assunto surgiu, há cerca de 15 anos, ele foi trabalhado principalmente por algumas grandes empresas. O tema era quase um luxo de um segmento abastado da economia, focado principalmente na melhoria da reputação e minimização de riscos. Esta visão ainda se reflete em pesquisa realizada pela Accenture em 2010 com 766 CEOs. 72% deles entendem marca e reputação como um dos três principais fatores para puxar a agenda de sustentabilidade e 66% reconhecem as mudanças climáticas como o aspecto mais crítico a ser endereçado globalmente, tendo em vista os riscos para os negócios.

Entretanto, as empresas grandes também perceberam as oportunidades vindas da sustentabilidade. No estudo da McKinsey de 2011, a maior parte dos executivos apontou a redução de custos operacionais como a principal razão para trabalhar com sustentabilidade. A quarta principal são as oportunidades de crescimento dos negócios.

É aí que entram as pequenas e médias empresas. Várias delas já perceberam que a agenda de sustentabilidade está acessível e pode gerar muito valor para os negócios. Veja, por exemplo, o caso da TecVerde. A startup trouxe para o Brasil um método de construção que entrega a casa prontaem três meses. Parase tornar competitiva, a empresa gera 85% menos resíduos, ou seja, menos desperdícios e menores custos. Outro exemplo é a DryWash, que lava carros sem água. A preocupação de criar um plano de desenvolvimento para os funcionários com pouco estudo levou um empresário indiano a investir para levar a marca para a Índia e, com isso, internacionalizar os negócios e os lucros da empresa. Além dos exemplos de processos e pessoas, há empresas que estão colocando no ar produtos sustentáveis, como a Ecostart , que produz bicicletas elétricas e amplia as oportunidades de mobilidade de baixo custo e baixo carbono.

Assim como os mercados emergentes adotaram os celulares sem passar pelas linhas fixas, as PMEs estão adotando as oportunidades de sustentabilidade sem se preocupar com riscos ou reputação. E assim como os benefícios dos celulares hoje vão muito além do objetivo inicial da comunicação, os ganhos de uma boa estratégia de sustentabilidade para as PMEs tem todo o potencial para gerar novos produtos, novos mercados e maiores lucros.

Gabriela Werner (@gabiwerner) é fundadora do http://SustentabilidadeNaEmpresa.com.br e trabalha com sustentabilidade há 9 anos em segmentos como consultoria, ONGs, banco e indústria.

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