No primeiro dia, luta e festa

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No primeiro dia da COP 30, lembrei de uma frase da querida Marina Silva, nossa ministra do Meio Ambiente: “A COP 30 é luta, não é festa.” Hoje teve luta e teve festa. Luta no discurso incisivo de abertura feito pelo embaixador André Corrêa do Lago. Ele focou a urgência do tema. E lembrou, consciente de sua responsabilidade, que, há 10 anos, no Acordo de Paris, a previsão era de que romperíamos a marca de 4 graus de aumento de temperatura média do planeta. Muito foi feito-acredita–mas não o suficiente.

Com os EUA fora do Acordo de Paris, China e Índia na esquiva, e a Europa relutante em assumir metas mais ambiciosas num momento dramático de revisão de NDCs (Contribuições Nacionalmente Determinadas), Correia do Lago sabe que o grande desafio será convencer os países mais poluidores a abrirem o bolso e cumprirem o acordo estabelecido em Baku de financiar US$ 1,3 trilhão anuais nos próximos 10 anos.

Mas teve festa também. Muita. E nos mais diferentes e inusitados lugares. Festa eticamente discutível como as observadas nos estandes animadinhos de países (zona azul) que insistem em descumprir metas de redução de emissões. Festa cafona nos estandes de empresas e estados brasileiros (zona verde) que historicamente fazem menos do que poderiam ou deveriam fazer dado o seu potencial ou ante os seus impactos na sociedade e no meio ambiente.

Teve festa boa também. Ainda bem. Festa legítima ligada às nossas tradições dionisíacas, indígenas e africanas. Teve batuque, kuarup e carimbó, anunciando com a alegria vigilante dos nossos ancestrais que queremos festa sim (porque alimenta a alma), sem abrir mão da luta (que mantém o corpo vivo.)

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