Por Sérgio Rizzo

O parágrafo acima resume, com a frieza de números e palavras, um cenário humano que encontra expressão mais colorida e concreta no documentário Expedição Viva Marajó. Dirigido por Regina Jehá, com música de Egberto Gismonti, o filme se estrutura, como afirmam seus produtores, “a partir da voz do marajoara” e com o objetivo de “contribuir para o debate sobre o que entendemos por áreas protegidas, sustentabilidade, desenvolvimento e cidadania”.
Além da importância que representa para nos aproximar do dia a dia nas aproximadamente 2.500 ilhas e ilhotas que constituem o arquipélago do Marajó, o documentário tem uma trajetória que ilustra o notável aumento da produção e da circulação de obras audiovisuais preocupadas em trazer temas de sustentabilidade para a pauta social nas últimas duas décadas.

Concebido em parceria com o Instituto Peabiru, que pilota o projeto Viva Marajó, o documentário levou Jehá e sua equipe a rincões onde antes o cinema (e também a televisão) só aparecia em circunstâncias muito especiais, e com orçamentos obrigatoriamente generosos para dar contas de necessidades técnicas e logísticas.
Outro aspecto da “revolução digital” que vem multiplicando o alcance da produção audiovisual sobre sustentabilidade, nos últimos 20 anos, tem a ver com a circulação das obras. Expedição Viva Marajó foi lançado, como reza a cartilha tradicional do mercado, em salas de cinema, onde pouca gente o conheceu. Mas um programa itinerante de exibição, possibilitado pelo acesso a equipamentos mais leves e baratos do que os exigidos pela projeção em película, o levou ao próprio arquipélago – e a estimados 4 mil espectadores marajoaras.
Recém-lançado em DVD no Brasil, depois de participar de diversos festivais no exterior, o filme pode agora continuar a expansão de seu público no universo digital – e supõe-se, como o grosso da produção sobre sustentabilidade, que ele em breve esteja ao alcance do seu rato (para usar a palavra com que os portugueses, acertadamente, chamam o mouse do computador) em algum sítio da internet.
A disseminação de temas sobre sustentabilidade, ensina a produção audiovisual recente, passa por uma câmera na mão e conceitos (que muitas vezes conduzem a denúncias) na cabeça.
Sérgio Rizzo é jornalista, crítico de cinema e professor | www.sergiorizzo.com.br.








