Por Maiso Dias

Uma das principais propostas da economia verde, apoiada pelo PNUMA (Programa das Nações Unidas Para o Meio Ambiente), resulta em melhoria do bem-estar da humanidade e igualdade social, ao mesmo tempo em que reduz significativamente riscos ambientais e escassez ecológica.
Esse tema foi um dos focos da RIO+20, que aconteceu entre os dias 13 e 22 de junho de 2012 no Rio de Janeiro. A Conferência discutiu sobre a economia verde no contexto do desenvolvimento sustentável e da erradicação da pobreza, e ainda como alternativa para viabilizar não só a expansão da atual economia petroleira até seu limite, mas também o controle das novas fontes de energia pelas empresas e grupos de poder que mandam no petróleo, avalia Camila Moreno, pesquisadora e coordenadora de sustentabilidade da Fundação Heinrich Böll.
Mas, apesar de o assunto estar em pauta em grandes encontros como esse e, também, no dia a dia, por meio do discurso da mídia e de formadores de opinião, o conceito ainda intriga muitos empresários.
O receio vem da crença de que desenvolvimento sustentável e progresso econômico são dois fatos antagônicos. Acredita-se que empresas socialmente e ambientalmente responsáveis gastam mais e, por isso, têm a sua competitividade abalada. Porém, pesquisas e constatações recentes provam que seguir as práticas propostas pela economia verde traz benefícios não só para o planeta como para o próprio negócio. Estamos falando aqui da imagem da empresa e, principalmente, de oportunidades de se criar diferenciais no mercado.
Pesquisa recém-divulgada pela Associação Brasileira dos Profissionais de Sustentabilidade (Abraps), revela que 26% das empresas do país pretendem ampliar o quadro de funcionários na área de sustentabilidade, ainda neste ano.
Segundo Peter Poschen, diretor do Departamento de Criação de Empregos e Empresas Sustentáveis da Organização Internacional do Trabalho (OIT), hoje existem cerca de três milhões de empregos verdes no Brasil, que correspondem a apenas 6,6% do total de postos de trabalho formais. Embora o país ainda esteja iniciando sua caminhada na área, diz ele, os empregos verdes já crescem mais rapidamente que os demais. Estudo da instituição registrou alta de 26,73% na oferta de empregos verdes no país, entre 2006 e 2010, enquanto o total de vagas formais subiu 25,35%.
Ratificando ainda mais essa tendência, o artigo “Por que a sustentabilidade é hoje o maior motor da inovação”, publicado na revista norte-americana Forbes é uma prova disso. A partir de um estudo das iniciativas de sustentabilidade de 30 empresas de grande porte dos EUA e da Europa, os autores mostram exemplos de que essa prática é capaz de gerar tanto receita como lucro.
No texto, argumenta-se que, pelo fato de o desenvolvimento sustentável já ser um caminho sem volta, quanto mais cedo uma empresa estiver preparada para essa realidade, maior a chance dela se tornar pioneira em inovações organizacionais e tecnológicas. E essa expertise, como mostram os casos concretos, é difícil de ser alcançada pelas concorrentes.
O artigo aponta inúmeros benefícios trazidos pela prática da responsabilidade social. Os exemplos vão desde a redução de custos, pois empresas ambientalmente corretas acabam utilizando menos insumos, até a retenção de talentos, já que, segundo estudos, 75% da força de trabalho nos EUA consideram a responsabilidade social e o compromisso com o meio ambiente critérios importantes na hora de decidir onde trabalhar.
Para a conferência da RIO+20, o Brasil apresentou um levantamento com mais de 50 ações realizadas em vários estados, desenvolvendo iniciativas de incentivo à economia verde, defendendo como proposta uma cultura de mensuração de indicadores ambientais como uma das soluções para o desenvolvimento sustentável. Destaque para uma dessas ações inovadoras é o ICMS Ecológico, já implantado no estado do Paraná, onde a preservação ambiental é uma prática da gestão adotada há mais de vinte anos, na qual os municípios recebem 20% a mais do tributo, considerando-se mais de duzentos milhões de reais por ano – recurso extra e fundamental para manter os cofres dos municípios.
Os casos de sucesso fazem qualquer empresário que preza pelo seu negócio querer acompanhar essa tendência. Então é só dar o primeiro passo. Praticar uma gestão focada na responsabilidade social e ambiental pode ser mais simples do que se espera. A seguir, algumas sugestões e reflexões para sua empresa, no estímulo às práticas da economia verde:
– Promover alternativas para o consumismo, por meio do fomento ao Plano de Produção e Consumo Sustentáveis;
– Repensar a criação de riqueza, em sua justa distribuição, evitando discrepâncias extremas e considerando as necessidades das gerações atuais, assim como daquelas ainda por vir;
– Criar uma economia voltada a maximizar a qualidade de vida e as oportunidades para sucesso na busca da felicidade por todo ser humano, em vez da mera acumulação de bens ou de riqueza;
– Disseminar o conhecimento, potencializando a contribuição da educação, da ciência e das demais atividades culturais para o estabelecimento de práticas, valores e aspirações sociais compatíveis com a sustentabilidade;
– Proteger o respeito à liberdade/responsabilidade de escolha, opinião e expressão, a democracia, os direitos humanos e coletivos, e a diversidade cultural, individual e biológica;
– Fomentar políticas públicas e promover, dentre outras práticas, a transparência, a responsabilidade e a integridade ética;
– Promover a rápida e apropriada adoção da Política Nacional de Resíduos Sólidos, recentemente aprovada. Lutar contra o enfraquecimento do Código Florestal;
– Refletir sobre o “desenvolvimentismo à antiga”, que confunde desenvolvimento com crescimento econômico ancorado em grandes obras de infraestrutura, combustíveis fósseis e consumismo de massa;
– Prevenir e denunciar o mau uso, a manipulação e a representação incorreta do termo economia verde e dos conceitos e práticas a ela relacionados, evitando o enfraquecimento dessas propostas e o aumento do ceticismo na sociedade.
Maiso Dias é sócio-diretor da Dialogus, consultoria







