A onda de negócios verdes nos Estados Unidos

A onda de negócios verdes nos Estados Unidos

Os norte-americanos, como se sabe, são pródigos em fazer estatísticas sobre tudo, estudar tendências e prever o futuro com base  em análises de cenários. Não por acaso, lá proliferam os futurólogos, os rankings e os relatórios.
O Greenbiz.com., portal especializado em sustentabilidade, publicou recentemente, a partir da análise de 1000 notícias veiculadas em suas páginas e em outros três portais do grupo, um relatório denominado O Estado dos Negócios Verdes, no qual identificou os 10 principais temas do movimento da sustentabilidade entre empresas daquele País. Destes, a coluna elegeu quatro para fazer uma comparação com a realidade brasileira, guardadas, é claro, as óbvias diferenças. São eles:
1- Esquenta o comprometimento com o clima
Segundo o portal, no último ano, a maioria das empresas norte-americanas só pensou naquilo: redução de emissões de carbono. Mais do que pensar, especialmente as líderes fizeram questão de anunciar publicamente seus compromissos para a contenção do aquecimento global com percentuais ousados e prazos também ousados, em parte – vale ressaltar—porque sabem que este tipo de demonstração de atitude tem sido cada vez mais valorizada pelo consumidor.
Algumas corporações importantes, como a Xérox, por exemplo, festejaram ter cumprido antes do tempo metas estabelecidas nos últimos quatro anos. E prometem mais.
Lá como cá, no Brasil, o interesse pelo tema só faz crescer. A diferença entre os dois países está, ao que parece, no timming de engajamento. Há mais tempo na guerra, as principais empresas americanas apresentam-se um degrau acima. Passada uma primeira onda de ações de compensação, com muitas companhias brasileiras plantando árvores para quitar o passivo do seu carbono, só agora começam a surgir por aqui os primeiros e esparsos anúncios de redução de emissões de Co2. Ainda muito tímidos, é verdade. As metas voluntárias variam conforme o tipo de negócio e o nível de amadurecimento da empresa para o tema.
Enquanto nos EUA, as 10 maiores companhias se uniram para avaliar a capacidade do país  de produção de gases de efeito estufa para reduzi-la 15% em 15 anos, aqui as iniciativas ainda seguem sendo poucas, individuais e isoladas. Lá, empresas e governos já sentam á mesma mesa para debater o tema. Aqui, muito pouco ou quase nada.
Cético, o GreenBiz.com acha que, nesse território, o caminho a percorrer é longo e tortuoso. Entre outras razões, porque, a despeito da boa vontade, cerca de um terço das empresas norte-americanas não dispõem de um método para monitorar as suas próprias emissões.
2- Empresas automobilísticas entram finalmente na engrenagem
Para o GreenBiz.com, o interesse das montadoras por ações verdes pisou no acelerador no último ano. E isso ocorreu graças, sobretudo, ao aumento no preço dos combustíveis, o que amplia a demanda dos consumidores por carros menores e mais eco-eficientes.
Nos EUA, observa-se um crescimento expressivo na fabricação de veículos híbridos, elétricos, com combustíveis eficientes ou alternativos. Lá, diferentemente daqui, os governos estão empenhados nesse movimento. Um bom exemplo é o do prefeito de Nova Iorque, Michael Bloomberg. Seguindo a direção adotada por Boston e São Francisco, ele resgatou um plano antigo de substituir a frota de  13 mil táxis da cidade por veículos híbridos. E até definiu um horizonte próximo: 2012.
No Brasil, as montadoras tratam os carros híbridos elétrico-álcool como estudos experimentais  de longo prazo. Não há nenhuma previsão de lançamento de modelos com este tipo de tecnologia. O velho e bom motor flex continua sendo a nossa grande contribuição tecnológica para o clima do planeta.
3- O mercado verde está de volta
O mercado verde –segundo a GreenBiz.com – tomou novo impulso nos EUA. E hoje produtos ambientalmente responsáveis já podem ser vistos, em quantidade e variedade, em lojas dos mais diferentes segmentos. A Home Depot é um exemplo da tendência. Seu programa Opções Verdes apresenta um portifólio de 2500 itens. Até 2009, deve chegar a 6.000.
No Brasil, os produtos verdes já não se limitam, como em outros tempos, a alimentos orgânicos. Por aqui já se vê, em vitrines e prateleiras, cosméticos, roupas, material escolar e produtos de limpeza e higiene entre outros ambientalmente responsáveis.
Até onde,  e o quanto eles, de fato, são “verdes”, esta é uma outra história. Nos EUA, os consumidores têm se mostrado muito céticos em relação à “veracidade” dos anúncios comerciais verdes a ponto de a Comissão Federal de Comércio de lá admitir a possibilidade de uma regulação mais rígida da propaganda baseada no tema.
4- Os grandes se curvam
Para o portal, a sustentabilidade é coisa de gente grande. Não por outra razão, as grandes corporações têm liderado o movimento de inserção do conceito em suas estratégias negociais. Citando iniciativas como as de Dupont, General Eletric, Wal-Mart e Google, que estão adicionando o valor do tema a seus negócios, a partir da criação de tecnologias e linhas de produtos inteiramente focadas em baixo impacto ambiental, o portal indica esta como uma das tendências mais claras no cenário norte-americano.
Aqui não tem sido diferente. Uma das razões apontadas para a baixa adesão das empresas de médio e pequeno porte está no fato de que, para a maioria delas, a sustentabilidade ainda é vista como um risco e um custo. Para as líderes, ao contrário, representa uma oportunidade e um investimento.

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