Você vem de coxinha, eu vou de unha de caranguejo

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Estamos há algumas horas do início da COP 30, a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, um evento no qual líderes mundiais, cientistas, ONGs e representantes da sociedade civil discutem ações para combater (mitigar e adaptar) as mudanças climáticas. Em Belém (PA), na chamada COP da verdade, deve-se discutir, entre outros grandes assuntos, como financiar a transição para uma economia de baixo carbono que nos livre do pior cenário em futuro não muito longínquo.

Já teve encontro de líderes mundiais. Já teve forte movimentação nos bastidores para pressionar a Europa a anunciar medidas de redução de emissões de gases de efeito estufa mais ambiciosas.

Mas o que viralizou mesmo foi a matéria de um jornalista da CNN sobre o “custo extorsivo dos salgadinhos” na COP 30. Isso mesmo. O jornalista não se deu ao trabalho de investigar que, por norma, os preços foram fixados em dólares. Ou de tentar conhecer melhor os custos dos comerciantes e as regras que tiveram de acatar. Também não se deu ao trabalho de mostrar outras (muitas!) alternativas de alimentação saudável e de qualidade na faixa de R$40 reais (mais baratas que um PF em São Paulo.)

Claro: dá mais audiência entre os telespectadores do Sul-Sudeste reforçar a ideia, presente desde que Belém foi anunciada a sede da COP 30, de que a cidade é terra de ninguém, uma cidade de exploradores inescrupulosos e que não está preparada para receber um evento da magnitude da COP 30. Nos últimos seis meses ouvi todo tipo de piada sobre supostas incapacidades, malvadezas e crueldades de Belém. Puro preconceito regional, que os paraenses–claro!– já compreenderam e reagem, na maioria das vezes, com amazônica ironia.

Se não chegarmos aos resultados esperados (muito desafiadores) para essa COP 30 não será, nem de longe, por causa de Belém. Aposto em Belém. Aposto na força que emana da floresta. E aposto, sobretudo, na capacidade dos nossos diplomatas de costurar acordos climáticos muitas vezes vistos como impossíveis.

A propósito. Se vier a Belém, esqueça a coxinha e vá de unha de caranguejo. Melhor. E mais barata: com R$20, você se delicia com esta iguaria paraense. Sem culpa.

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