Por José Gonçales Junior

Há alertas emitidos por todos os lados do planeta, que podem ser sentidos nas guerras civis, na disseminação dos radicalismos e movimentos extremistas, na violência urbana que sistemicamente tem recebido respostas mais violentas por parte dos estados, na contaminação sistemática de solos, lençóis freáticos, aquíferos, florestas, atmosfera e dos milhares de seres da cadeia alimentar.
O aquecimento global já mostra seus efeitos até diante dos mais céticos, com o derretimento de mais de 30% do Ártico e sérias ameaças para ursos polares, gerando também o aumento da desertificação mundial (monitorada pelo PNUD/ONU).
Mas nos resta uma grande pergunta? Quem se importa com isso? Que perfil de pessoa pára na intenção de questionar esses sinais da sociedade e do planeta? Onde estão os futuros líderes que conduzirão os negócios, o poder público, suas comunidades e suas famílias, ante um projeto de civilização sustentável?
Aguardar por encontrá-los somente na faculdade pode ser tarde, e corre-se o risco de perder milhares de jovens e crianças que desde cedo apresentavam características altruístas com o próximo, com os seres vivos, com a natureza – verdadeiros líderes para a sustentabilidade. Toda semente que desde cedo não é regada corre o risco de não brotar e florescer.
No interior de São Paulo, em Sertãozinho, a pequena Victória nos dá mostras de onde podemos encontrar os futuros líderes sustentáveis: durante um trabalho escolar no ensino fundamental, a visionária aluna fez uma pesquisa sobre empreendedorismo com finalidade social, expondo para seus coleguinhas de classe os inúmeros benefícios que ocorrem quando empreendedores resolvem montar seus negócios não pensando em si, mas no desenvolvimento do coletivo, de sua comunidade.
Em outro caso no país, na cidade de Curitiba e também em São Paulo, alunos do SESI são trabalhados para despertarem suas aptidões empreendedoras, principalmente focadas na invenção e construção de objetos a partir da reciclagem de inúmeros materiais, desenvolvendo uma percepção e visão voltada para o reúso, a reciclagem e a reutilização – acima de tudo, uma nova forma de pensarem sua responsabilidade com os objetos que adquirem e que usam no seu cotidiano.
Mapearmos todas as iniciativas no país, desde o ensino infantil até a pós-graduação é uma das funções emergenciais para que possamos compor um modelo de educação que permeie todas as faixas etárias, todos os setores sociais, todas as instituições, visando implantarmos definitivamente as premissas propostas no Tratado de Educação Ambiental para Sociedades Sustentáveis e a Agenda 21, abrindo espaços institucionais no governo, nas empresas e na sociedade para facilitar ambientes de aprendizagem multidisciplinar, empoderadora, sensibilizadora, acima de tudo inovadora e criativa.
Iniciativas como o Principles for Responsible Management Education (PRME) da ONU são bem vindas e necessárias, mas somarmos esforços com a Agenda 21 e o TEASS, e unirmos nossas ações entre empresas, governos, movimentos da sociedade civil, será a base para assim criarmos uma frente de construção de um novo modelo educativo, voltado para uma geração que viverá no século em que emergirão sociedades sustentáveis; esse é o nosso maior desafio.
Aqui é preciso um enorme exercício de humildade, capacidade de diálogo multistakeholder e a audácia de nos reencontrarmos com os nossos maiores sonhos e utopias: construir sociedades mais justas, que tenham profundo respeito pelos outros seres viventes e pelo planeta, e um altruísmo incondicional com as futuras gerações.
Sonhemos juntos, lutemos juntos, assim a utopia pode virar realidade.
José Gonçales Junior é geógrafo pela USP, MBA em Sustentabilidade pela FGV/SP, consultor em Desenvolvimento Sustentável, docente de pós-graduação em faculdades em Campinas e São Paulo na área ambiental – sustentabilidade e ambientalista.







