A sustentabilidade me despertou para a vida

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Por Gerson de Freitas Junior

Refletindo sobre a sustentabilidade em minha vida, posso dizer que, talvez, não tenha sido eu que tenha despertado para a sustentabilidade, mas, sim, ela é que tenha me despertado para o mundo.

Foi por intermédio dos princípios da proteção ambiental que vislumbrei um caminho pessoal e profissional para seguir. Foi observando a vida, em suas diversas manifestações e escalas, que enxerguei um futuro, uma linha para concentrar minhas ações e meus pensamentos.

Tudo começou com os maravilhosos documentários de Jacques-Yves Cousteau, quando eu ainda era criança. Assistia aqueles documentários incríveis, que mostravam paisagens de sonhos, bem como a beleza da biodiversidade marinha. Cada vez mais fui me interessando por esses programas e passava horas assistindo a todos os que podia (em uma época em que as TV’s assinadas não eram populares). Não perdia programas como “América Selvagem” (“Wild America“), dos irmãos Stouffer, “Planeta Terra”, “Os Bichos” e os documentários apresentados pela Paula Saldanha na TV Cultura. Isso foi fundamental para a minha concepção de mundo e sobre toda a minha carreira posterior.

Quando ingressei no curso de Geografia da USP, as coisas fizeram ainda mais sentido e, assim como outros geógrafos, sempre me inspirei no exemplo do grande nome da Geografia brasileira, o Prof. Aziz Nacib Ab’Sáber, uma referência para muitos profissionais que se dedicam às questões ambientais, em diversas áreas. Sua luta, acadêmica e pessoal, sempre firme e comprometida com o bem estar das populações brasileiras, de forma integrada à proteção dos recursos naturais, fortaleceu ainda mais as minhas concepções, principalmente a de que, se pensamos em sobreviver com qualidade de vida, temos, urgentemente, que proteger o patrimônio natural ao qual estamos integrados!

Durante a graduação e depois no mestrado em Geografia Física, mantive vivo o interesse pelas paisagens e pela biodiversidade, o que me levou a estudar com um pouco mais de dedicação os temas relativos à Biogeografia. Sendo assim, minha dissertação de mestrado foi intitulada “Os eucaliptos no Vale do Paraíba paulista: aspectos geográficos e históricos”.

A National Geographic, consagrada pelo pioneirismo e por toda a história e tradição de trabalho voltadas para a sustentabilidade, sempre me inspirou.

Praticamente todas as minhas atividades profissionais são dedicadas à sustentabilidade. A sustentabilidade tem sido prioridade cotidiana, seja como professor, como pesquisador ou como técnico. Além disso, nas atividades comuns, a sustentabilidade está inserida de forma intrínseca. Como carrego desde criança a preocupação e a admiração pela vida, logo, também carrego sempre os valores da sustentabilidade, posso afirmar que considero que a maior dificuldade é difundir estes valores, visto que ainda imperam o imediatismo e o individualismo entre a maioria das pessoas, cuja expressão mais evidente é o consumismo voraz. Sendo assim, é muito difícil dialogar e conscientizar as pessoas, principalmente quando elas não trazem consigo os princípios da sustentabilidade.

Para muitas pessoas, sustentabilidade é sinônimo de algo secundário, o que é muito equivocado, pois a sustentabilidade é tão urgente e necessária como quaisquer outras necessidades humanas.

Felizmente, tive grande sorte na minha vida profissional, pois a empresa para a qual trabalho é totalmente dedicada ao Ensino e à Sustentabilidade! Trabalho em uma Instituição de Ensino Superior, a Faculdade de Roseira – FARO, cujo lema é “Ensinando Preservação e Sustentabilidade”. A FARO está localizada no município de Roseira-SP, em uma Reserva Florestal, desenvolvendo atividades de ensino (graduações em Engenharia Ambiental e Gestão Ambiental, por exemplo), bem como Projetos de Recuperação de Áreas Degradadas, Pesquisa, Educação Ambiental e Extensão acadêmica, se constituindo em uma instituição referência em questões ambientais na Região do Vale do Paraíba paulista.

Portanto, na empresa para a qual trabalho, a sustentabilidade é, sem sombra de dúvida, a ALMA e o CORPO, que conduzem toda a comunidade acadêmica em busca de um futuro ecologicamente mais saudável e socialmente mais justo.

Sendo assim, como tudo na FARO está voltado para o ensino dedicado à sustentabilidade (aulas, palestras, cursos de capacitação, biblioteca, laboratórios, calendário, etc.), todos os esforços da instituição estão direcionados para a preparação de profissionais capazes de atuar com responsabilidade em questões de sustentabilidade. E, felizmente, os resultados têm sido muito gratificantes, pois os estudantes da FARO e os egressos, têm se destacado em toda a região, atuando efetivamente, em órgãos públicos e privados, para o avanço da sustentabilidade em todos os setores da sociedade.

Não me considero um líder ou algo assim, apenas acredito que tive a grata oportunidade de dedicar minha vida à sustentabilidade e de poder compartilhar minhas concepções e meus sonhos de um mundo melhor do ponto de vista socioambiental. A satisfação pessoal é imensa em saber que as conversas, as aulas, os debates, os artigos, o convívio com colegas professores, estudantes e outros profissionais, são dedicados a uma causa tão importante como a da sustentabilidade.

Portanto, as conquistas mais valiosas são os ideais (vê-los se multiplicando e se tornando realidade). Saber que mais e mais pessoas querem um presente e um futuro sustentáveis. As conquistas profissionais são o meio para alcançar as conquistas maiores, essas sim, coletivas e duradouras e as que realmente devem ser a finalidade de todo o trabalho.

Gerson de Freitas Junior é professor da Faculdade de Roseira-FARO, da Universidade de Taubaté-UNITAU e da Faculdade de Tecnologia – FATEC, campus de Jacareí-SP

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