Opinião

Opinião

Confira podcast com os melhores momentos do debate realizado no evento de lançamento do estudo Relatórios de Sustentabilidade: Evolução, cenários e tendências.
Por que um estudo sobre relatórios de sustentabilidade?
“Acreditamos na importância estratégica dos relatórios – que podem nos ajudar a melhorar a qualidade do processo e a gestão da sustentabilidade. Há muito achados interessantes e conclusões provocativas neste estudo. Mas nenhuma pesquisa basta em si mesma, é preciso haver interação, análise e interpretação. É um ponto de partida, não de chegada. As grandes pesquisas fazem as perguntas certas, e com essas perguntas construímos o conhecimento. Com pesquisas desse tipo damos mais um passo no sentido de oferecer a quem trabalha com tema, reflexão, análise e formação de massa crítica.” – Jean Philippe Leroy, diretor de relações com o mercado do Bradesco

“Esse tipo de pesquisa fortalece a discussão no Brasil e acaba sendo uma das razões pelas quais o País está chamando a atenção lá fora. Estudos têm apontado o Brasil como a nação que mais evoluiu na apresentação de dados não financeiros. Esse tipo de trabalho traz conhecimento, base para fortalecer a discussão.” – Glaucia Térreo, ponto focal da Global Reporting Initiative (GRI)

Complexidade
“Em relação ao mito de que o GRI é complicado, a revisão que resultou na última versão trouxe uma coisa mais amigável e simples com a criação dos níveis de aplicação. O nível C com seus 10 indicadores, por exemplo, é mais simples do que um relatório Ibase. Outra questão clara diz respeito à compreensão do sentido de se fazer um relatório. Tenho usado a seguinte analogia: se pedisse a vocês a descrição de uma missão, o mapeamento de suas partes interessadas, suas políticas de relacionamento, teria um cenário desenhado. Se dissesse a vocês para acompanhar, posteriormente, seus indicadores individuais em relação a gasto de energia, de combustível fóssil, de água, de emissões, isso resultaria em um tipo de ‘relatório GRI individual’. A partir desse quadro são traçadas as metas. Para uma empresa, o GRI é exatamente isso: avaliar o que se faz no dia a dia e ver como se pode contribuir para a sustentabilidade do planeta fazendo aquilo que sempre foi feito. É um instrumento de gestão para ajudar as empresas a inserir o tema da sustentabilidade na organização.” – Glaucia
Definição de metas
“A questão da materialidade no estabelecimento de metas quase nunca é um aspecto fácil do processo, pela quantidade de demandas existentes, por isso o processo de relatar tem sido uma rica oportunidade para reflexão e apropriação do conceito da sustentabilidade. O que me chamou atenção no estudo é que no inicio três empresas disseram haver baixo envolvimento da alta direção. A questão do acompanhamento do início ao fim e do tom seria mais em relação à preocupação com a recepção que o mercado vai ter com o trabalho realizado. A inserção dos stakeholders na discussão é cada vez mais forte, pois a empresa deve estar preocupada em ouvir e pronta para ser questionada. Aceitando a crítica, aceita-se a mudança, e aceitar a mudança é se aproximar das expectativas dos stakeholders.” – Jean

Troca de experiências
“Muitos dilemas que passamos no Bradesco, são enfrentados por diversas empresas. Temos que ir além dos profissionais das empresas. Percebemos o despreparo nos paineis. Conversamos com organizações muito importantes que não se posicionaram, talvez por esse processo ser novo. Sobre os formatos, as versões interativas demais podem tornar o processo de busca por informações mais lento.” – Helton Rodrigo Barbosa, analista de Responsabilidade Socioambiental
Tendências
“Algumas pessoas e empresas estão resistentes quanto ao uso de novas tecnologias e isso é estranho porque devemos olhar para frente, o relatório e o conceito da sustentabilidade representam isso. Temos que nos preparar, pois o uso de novas plataformas de comunicação é uma tendência muito forte. Fizemos uma pesquisa em 2008 e ficou claro que o leitor vai atrás das informações quando precisa, acessa a internet e faz sua busca em sites como o Google. Devemos levar isso em conta. Outra forte tendência é a regulação da questão da sustentabilidade por parte dos governos. Isso aponta no sentido da união entre o relatório de sustentabilidade e o relatório de gestão anual. Muitas empresas já fazem essa integração, e aquelas que não o fazem devem ficar atentas porque essa é uma das soluções para que as companhias parem de tratar a sustentabilidade como algo longe da gestão.” – Gláucia
Novos formatos
“É necessário aportar outros formatos que possibilitem leituras mais objetivas. Não se pode apensa ser bonito na forma. Não é o recurso pelo recurso. O meio deve favorecer a apreensão dos conteúdos. Eles têm que ser comunicadores, senão não se dissemina informação.” – Ricardo Voltolini, diretor de Ideia Sustentável

“Começamos a trabalhar com a questão do individuo para que ele visse sentido no relatório. E às vezes até nas grandes empresas falta esse senso de sentido. Entender o sentido ajuda a engajar pessoas no processo de elaboração de relatórios dentro da empresa. Se o sentido não é percebido, ou se faz o relato no automático, porque o chefe mandou, ou simplesmente deixa-se de fazer.” – Gláucia
“Acredito que seja um desafio humano. O que vejo convivendo com gestores de sustentabilidade é que ao final do processo de relato eles estão exaustos, estressados. O protocolo está subjugando os indivíduos, está passando a ser mais importante. E essa equação não vai fechar. O processo de construção dos relatórios está insustentável, os processos se atropelam. Teremos que rever isso. Mas uma coisa importante também é no âmbito da informação socioambiental. Ao que tudo indica, vai haver nos próximos tempos uma ascensão importante da informação socioambiental como informação útil e relevante para o individuo tomar decisões no cotidiano, comprar um produto e escolher uma atividade com mais consciência, então me parece que isso já está projetado no horizonte no curto prazo.” – Ricardo
Ferramenta de gestão
“Nossa experiência de produção é complexa, porque o Bradesco tem mais de 90.000 pessoas e diversas empresas ligadas grande quantidade de informações. Coordenamos o relatório com consultorias para redação e outra para apuração das informações. E ainda temos outras duas para auditar informações e processos. Acredito que outra dificuldade é a integração das áreas, de um lado a obtenção e apuração das informações e depois a comunicação, o report. Mais de 40 pessoas só do banco foram envolvidas no processo, fora as consultorias.” – Helton

“O grande segredo é o trabalho matricial, se não houver comprometimento da isso não acontece. A questão do custo é direta e indireta, pois envolve consultorias, tempo utilizado pelos funcionários, etc. É difícil dar um valor preciso, para chegar aquele trabalho são muitas pessoas. Com certeza deve ser um custo superior a um milhão. Mas é difícil dizer. Mas até que ponto esse investimento, que para um banco do tamanho do nosso é pequeno, não muda a maneira de enxergar as coisas, os produtos que lançamos, a cabeça das pessoas e faz com que sejamos um banco que possa oferecer mais a quem quer, como os clientes, fornecedores?” – Jean
“Muita gente, quando inicia o processo de relato, o faz porque o concorrente faz, e isso não é um motivo. É preciso deixar claro o propósito de se relatar, o porquê do investimento de tempo, recursos e dinheiro. É preciso saber para que se está iniciando o processo. No final, deve-se avaliar se os objetivos foram atingidos, para, além de querer ser parte da solução e não do problema, defender a proposta perante acionistas, entre outros stakeholders. “ – Glaucia


Inscreva-se em nossa newsletter e
receba tudo em primeira mão

Conteúdos relacionados

Entre em contato
1
Posso ajudar?