O Plano B em prática

O Plano B em prática

Para Lester Brown já dispomos das ferramentas e tecnologias para implementar o Plano B. Em seu livro, ressalta experiências bem-sucedidas de mudança em todo o mundo, prontas para serem replicadas, seja na redução do uso de água para irrigação ou na otimização do solo para segurança alimentar, seja ainda no planejamento de cidades mais centradas nos indivíduos, na contenção do desflorestamento, no controle de natalidade ou na inclusão do custo do carbono no preço de produtos. Confira, a seguir, alguns exemplos na área de energia extraídos do livro Plano B 4.0: Mobilização para salvar a civilização.
Na Europa, as novas fontes de geração de eletricidade eólica, solar e de outros recursos renováveis já superam, com boa margem, aquelas de combustível fóssil. Nos EUA, o incremento de 8.400 megawatts na geração eólica em 2008 pulverizou os 1.400 megawatts das novas usinas a carvão. A energia nuclear, por sua vez, também está diminuindo. Em termos globais, a produção de reatores nucleares caiu em 2008, ao mesmo tempo em que a capacidade de geração eólica aumentou cerca de 27.000 megawatts, quantidade suficiente para suprir 8 milhões de lares americanos. O mundo muda em ritmo veloz.

A produção de lâmpadas fluorescentes na China, que conta 85% do total mundial, subiu de 750 milhões de unidades, em 2001, para 2,4 bilhões de unidades, em 2006. As vendas nos EUA, por sua vez, cresceram de 21 milhões, em 2000, para 397 milhões, em 2007. Dos estimados 4,7 bilhões de soquetes de lâmpada nos EUA, cerca de um bilhão agora recebem lâmpadas compactas fluorescentes.

A cidade de Nova York substituiu as lâmpadas tradicionais por diodos em muitos sinais de trânsito, baixando em US$ 6 milhões sua conta anual de manutenção e eletricidade. No início de 2009, o prefeito de Los Angeles, Antonio Villaraigosa, informou que a cidade substituiria 140 mil lâmpadas de rua pelos diodos, economizando US$ 48 milhões dos cidadãos pelos próximos sete anos. A redução resultante de emissões de carbono equivaleria a retirar sete mil carros das estradas.

Desde janeiro de 2009, a Alemanha exige que todos os prédios novos ou tenham pelo menos 15% de aquecimento do ambiente e de água a partir de energias renováveis, ou melhorem expressivamente sua eficiência energética. Para tanto, o governo oferece  apoio financeiro aos proprietários de casas novas ou já existentes visando a  instalação de sistemas ou realização de melhorias. Na verdade, ao iniciarem suas instalações verdes, os construtores ou proprietários perceberão que, na maioria dos casos, faz bem ao bolso exceder os requerimentos mínimos.

Em abril de 2009, os donos do Empire State Building, de Nova York, anunciaram planos de reformar os 255 mil metros quadrados de escritórios no prédio de 102 andares e quase 80 anos, reduzindo em quase 40% o seu consumo de energia. A expectativa é que a economia de energia, avaliada em US$ 4,4 milhões por ano, ajude a recuperar, em três anos, os custos de restaurações.

O Texas possui 7,9 mil megawatts de capacidade de geração eólica já em funcionamento, mais 1,1 mil em estágio de construção, e um grande potencial para desenvolvimento. Quando todas as suas fazendas eólicas estiverem completas, o estado terá 53 mil megawatts de eólica – o equivalente a 53 usinas termoelétricas a carvão. Além de satisfazer as necessidades residenciais das 24 milhões de pessoas, essa capacidade de geração habilita o Texas, que já é, de longa data, exportador de petróleo , a também exportar eletricidade.

Na metade de 2008, a Indonésia – país com 128 vulcões ativos e, portanto, rica em energia geotérmica – anunciou que desenvolveria 6,9 mil megawatts de capacidade geradora geotérmica, cabendo à Pertamina, sua estatal petrolífera,  cuidar da melhor parte. A produção de petróleo local vem caindo na última década, de tal modo que, nos últimos quatro anos, o país precisou importar o insumo. Como a Pertamina já transfere os recursos do petróleo para o desenvolvimento de energia geotérmica, poderá se tornar a primeira companhia do setor – estatal ou independente – a fazer a transição para a energia renovável.

A geração mundial de eletricidade eólica cresce em ritmo frenético. De 2000 a 2008, a capacidade aumentou de 18 mil megawatts para estimados 120 mil megawatts. Os EUA lideram agora a corrida, seguidos por Alemanha (até recentemente a líder), Espanha, China e Índia. Mas como a eólica na China dobra todo ano, o primeiro lugar norte-americano terá curta duração.

A Dinamarca é  líder mundial no uso de energia eólica, com 21% de eletricidade nacional suprida pelo vento. Quatro estados do norte da Alemanha agora geram um terço ou mais da sua energia a partir do vento. Para a Alemanha, o número é de 8% – e continua subindo.

A China tem 12 mil megawatts de capacidade de geração de vento, a maior parte na categoria de fazendas eólicas de 50 a 100 megawatts, sendo que há muitas outras de tamanho médio a caminho. Além disso, o programa Wind Base está criando seis megacomplexos de pelo menos 10 gigawatts cada, localizados na Província Gansu (15 gigawatts), oeste (20 gigawatts) e leste (30 gigawatts) da Mongólia Interior,  Província de Hebei (10 gigawatts), Xinjiang Hami (20 gigawatts) e ao longo da costa, ao norte de Xangai, na Província Jiangsu (10 megawatts). Quando estiverem terminados, eles terão uma capacidade geradora de 105 gigawatts – o volume de energia eólica que o mundo inteiro possuía no início de 2008.
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– Leia aqui mais textos sobre o Plano B 4.0 de Lester Brown.

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