O estado da arte dos relatórios de sustentabilidade

O estado da arte dos relatórios de sustentabilidade

O termo Carrots and Sticks refere-se a uma medida que combina reconhecimento e punição como forma de induzir comportamento. Com uma estratégia parecida, guiada mais pelo incentivo às boas práticas, sem descartar a importância de ações mandatórias, a prática de reporting tem avançado ao redor do mundo. Não sem razão a expressão em inglês dá nome ao relatório elaborado pelo Programa das Nações Unidas Para o Meio Ambiente (UNEP), KPMG Sustainability, a Escola de Negócios da Universidade de Stellenbosch e a Global Reporting Initiative, lançado na última conferência da GRI.
Em sua segunda edição, o estudo Carrots and Sticks – Promoting Transparency and Sustainability aponta as tendências nas abordagens voluntárias e obrigatórias para relatórios de sustentabilidade e transparência em relação a aspectos ambientais, sociais e de governança (do inglês, ESG – environmental, social and governance disclosure).
O levantamento contou com a colaboração de parceiros para analisar a evolução histórica da prática de reporting nos países da OCDE (Organization for Economic Co-operation and Development) e economias emergentes como Brasil, China, Índia e África do Sul.

Panorama brasileiro
A análise do Brasil ficou sob a responsabilidade de Ideia Sustentável. Por aqui a discussão ainda carece de um marco regulatório. Em maio de 1997, a então deputada federal, Marta Suplicy (PT/São Paulo), apresentou ao Congresso o projeto de lei 3.116/97, a fim de determinar que empresas com mais de 100 funcionários reportassem informações sociais. A proposta, no entanto, não foi adiante, uma vez que os seus autores não foram reeleitos. Em 1999, foi retomada pelo deputado federal Paulo Rocha (PT/Pará), mas o projeto de lei 32/1999 continua em apreciação na Comissão de Economia, Indústria e Comércio do Congresso Federal.
No entanto, essa falta foi compensada pela abertura de capital que levou as empresas a aderirem a mecanismos voluntários para publicação de relatórios de sustentabilidade, com destaque para a versão G3 da GRI. Em sua análise, Ideia Sustentável reforça que o aprimoramento das ferramentas para coleta e comunicação das informações não-financeiras de forma sistemática foi determinante para o avanço da prática de reporting no Brasil.
À exemplo disso, o levantamento Relatórios de Sustentabilidade: evolução, cenários e tendências, realizado pela Ideia Sustentável com patrocínio do Banco Bradesco, mostra que a maioria das empresas (30 das 50 entrevistadas) começaram a publicar relatórios de sustentabilidade entre 2002 a 2005, período que coincide com a disseminação do modelo GRI no Brasil.
Ainda segundo esse estudo, apesar de ter proporcionado avanços na responsabilidade social corporativa, o processo de elaboração de relatórios de sustentabilidade esbarra em dificuldades técnicas e culturais. De acordo com os gestores entrevistados por Ideia Sustentável, o despreparo técnico, a resistência interna e o baixo envolvimento da alta direção são alguns aspectos que dificultam a exploração do pleno potencial do relatório de sustentabilidade enquanto ferramenta de gestão.
Uma nova medida de desenvolvimento
Angela Cropper, vice-diretora executiva da UNEP, prenuncia “uma nova era para a comunicação pública, tanto a nível nacional e organizacional”. Segundo ela, os gestores de organizações públicas e privadas estão diante de uma crescente demanda pelo uso dos recursos públicos de forma responsável e, por isso, precisam de novos instrumentos de gestão e de informação para agir. “Os modelos convencionais de execução de relatórios financeiros e os chamados relatórios não-financeiros como duas ilhas separadas já não são aceitáveis”, ressalta.
O fato de ter reservas naturais abundantes e uma história recente coloca o Brasil em uma posição favorável para romper com o modelo tradicional de fazer negócios e lançar-se em uma economia sustentável.
Para que isso seja possível, Ideia Sustentável reforça que será preciso superar desafios como a falta de planejamento, a alta burocracia do Estado e o baixo incentivo ao desenvolvimento de novos modelos de negócios e tecnologias. “Ao proporcionar o monitoramento do desempenho nos três pilares da sustentabilidade (econômico, ambiental e social), as ferramentas para publicação de relatórios podem auxiliar líderes de governo, empresas e cidadãos a tomarem decisões que conduzam o País rumo ao desenvolvimento sustentável”, destaca no documento.
Leia mais:
Carrots and Sticks – Promoting Transparency and Sustainability
Relatórios de Sustentabilidade: evolução, cenários e tendências

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