Davi e Golias, uni-vos!

Davi e Golias, uni-vos!

Vai doer no bolso…
Poluiu, pagou! É assim que o governo federal pretende agir em relação às empresas que emitirem na atmosfera quantidade de carbono acima de um determinado limite, ainda a ser fixado. Para isso, elas terão de comprar títulos no mercado brasileiro de redução de emissões – os chamados certificados de redução de emissões de gases do aquecimento global, papeis que poderão ser adquiridos, inclusive, por investidores comuns. A informação consta de um estudo do Ministério da Fazenda, ao qual o jornal O Estado de São Paulo teve acesso.
O estudo significa, na prática, o início da regulamentação das metas do clima, anunciadas no final do ano passado pelo governo, que estabelece cortes entre 36,1% e 38,9% das emissões de carbono previstas para 2020, mas que, até agora, não saíram do papel.
A ideia é criar “tetos” de emissão de CO2 para os diferentes setores da economia. Ficariam sujeitos a esse tipo de restrição, por exemplo, geração de energia, transportes, indústria em geral e agronegócios. As primeiras a entrar na mira da regulamentação devem ser as usinas térmicas, movidas a carvão e óleo diesel, fontes de geração de energia poluidoras por natureza.
O estabelecimento dos tetos detalhados, bem como a fiscalização de seu cumprimento, devem ficar a cargo de uma agência de controle de emissões, nos moldes das agências reguladora já existentes no País.
Bom, mas você deve estar se perguntado: e se as empresas emitirem menos do que o teto? Bem, essas e aquelas que atuarem, por exemplo, na captura de carbono poderão emitir títulos de redução de emissões – papeis que vão atestar, em toneladas de CO2, uma determinada economia na emissão de gases de efeito estufa. O que, na prática, não deixa de ser um estímulo ao mercado voluntário de redução de emissões.
O melhor de tudo isso é que começa a ser desenhado no País um mercado no qual o Brasil já poderia estar despontando como líder. Só não está lá, ainda, por pura falta de organização.
Bem na foto, mas…
Enquanto as empresas mais poluidoras terão de rebolar para não perder competitividade nesse novo mercado de baixo carbono, as empresas de Tecnologia da Informação (TI) querem “sair bem na foto” – e, inclusive, ajudar os demais setores da economia a entrar na linha.
Sistemas de distribuição e armazenamento de energia mais eficientes, casas e prédios sustentáveis, softwares inovadores de transmissão de dados e ferramentas para poupar tempo e dinheiro, como videoconferências e plataformas de navegação em nuvem, são alguns dos exemplos de como a TI pode caminhar em favor do meio ambiente. Se aplicadas de forma inteligente – garantem as empresas – essas novas tecnologias podem gerar cortes de até 15% de emissão de carbono em setores como indústria, construção e transporte, até 2020. Mas isso se as gigantes do ramo levarem um “cutucãozinho” – é o que revela a terceira edição do Relatório Cool IT – Guia de TI Verde do Greenpeace.
O documento mostra que a pegada de carbono das empresas de TI – hoje em 2% das emissões globais – só tem aumentado, apesar do imenso potencial de redução: grande parte das oportunidades permanece inutilizada e poucos são os estudos que demonstram como este cenário será modificado.
Para elaborar o Relatório, o Greenpeace reuniu as mais importantes e influentes empresas do setor – Cisco, Dell, Ericsson, Fujitsu, Google, HP, IBM, Intel, Microsoft, Nokia, Panasonic, Sap, Sharp, Sony e Toshiba.
E levou em conta alguns critérios de avaliação: esforços em desenvolver e oferecer soluções tecnológicas que contribuam para a redução de emissão no mundo, com objetivos mensuráveis e ambiciosos; iniciativas internas de diminuir a própria pegada de carbono; uso de energias renováveis dentro e fora de casa e engajamento político frente a outras marcas e ao círculo científico, o famoso lobby.
No topo do ranking – quase 10 pontos à frente da segunda colocada – ficou a Cisco, com soluções de redução de energia em áreas como arquitetura e telecomunicações e inovações nas redes inteligentes de distribuição de energia – as chamadas Smart Grids.
Em segundo, a Ericsson também inovou ao realizar um estudo que mede o impacto das soluções energéticas para o corte de emissões de carbono. A gigantesca Google não apresentou metas de redução de energia, tampouco revela seus próprios percentuais de emissão de CO2. Apesar de pecar pela falta de transparência, foi a empresa que demonstrou maior potencial em modificar posturas, liderando um movimento político junto a outras marcas rumo a um futuro mais limpo.
O mico do Guia de TI Verde do Greenpeace ficou sabe com quem?  Microsoft. Sim, a maior empresa de software do mundo só muito recentemente começou a demonstrar interesse em diminuir sua pegada de carbono e, apesar de representar uma das maiores influências políticas no mundo, não abre espaço na agenda para falar de soluções ambientais.
Moral da história: quando se trata do futuro do planeta, nem sempre as maiores são as melhores!
E por falar em gigante…
O EBX – enfim – estabeleceu uma Diretoria de Sustentabilidade e um Conselho Ambiental e Social, que serão responsáveis pela elaboração e execução do Plano de Sustentabilidade do grupo, um conglomerado de empresas liderado pelo empresário Eike Batista – nada menos que o oitavo homem mais rico do mundo (e o mais mais do Brasil, claro!).
Embora Batista declare que “a sustentabilidade não é perseguida como meta, mas é sim uma vocação que está no DNA do Grupo EBX”, apenas a MPX Energia S.A. atuava sob a égide do Conselho Ambiental e Social. Agora, com a transferência para o Grupo EBX, o Conselho amplia seu escopo de atuação para todos os ramos de negócios – estaleiros, hotéis, restaurantes, minas de ferro, exploração de petróleo e outros mais.
Bons ventos e muita luz
Sopram do Ceará os ventos que arejam a imaginação do fortalezense Fernando Alves Ximenes, dono da pequena – por enquanto – Gram Eollic. Depois do pioneirismo mundial na construção de postes eólicos para iluminação pública, agora o elétrico Ximenes pretende emplacar sua mais recente invenção: o primeiro poste híbrido de que se tem notícia.
A luz do sol e a velocidade dos ventos são a base do equipamento, em testes no Palácio Iracema, de onde o governador Cid Gomes já sinalizou entusiasmo em viabilizar a iluminação de rodovias, praças e estádios de futebol do Estado.
O poste tem 12 metros de altura e, na extremidade superior, ostenta a “traquitana” inventada por Ximenes: um avião, feito com material usado nas aeronaves comerciais, em cujas asas estão as células solares de silício para captar a luz do sol. Na frente, uma hélice que gira de acordo com a direção do vento, gerando energia eólica. A soma da geração dessas duas fontes é armazenada numa bateria suspensa, com capacidade de armazenamento de 70 horas – sete noites, já que o sensor desenvolvido pela Gram Eollic impede que a lâmpada seja acionada durante o dia.
As vantagens sobre os postes convencionais vão além do aspecto ambiental, diz Ximenes. Segundo o engenheiro mecânico, os custos de implantação também são similares. Além disso, ele garante durabilidade de 20 anos para o equipamento, sem contar que a vida útil das lâmpadas Leds do invento é 50 vezes maior que a das tradicionais. Um único poste híbrido, segundo ele, chega a iluminar oito vezes mais e a energia armazenada seria suficiente para abastecer outros dois postes.
Com essa invenção já encaminhada, agora os olhos de Ximenes-professor-pardal já brilham pela realização de outro sonho antigo: a moto movida a energia solar, cujo projeto deve estar concluído até o final deste ano. A ideia é absorver a radiação solar, de dia, para que o veículo tenha autonomia de funcionar até quatro horas durante a noite.
É… Ximenes sonha e realiza. O planeta agradece!
Projeção em computação gráfica da Avenida Washington Soares, uma das mais movimentadas de Fortaleza, com a utilização do poste híbrido

Inscreva-se em nossa newsletter e
receba tudo em primeira mão

Conteúdos relacionados

Entre em contato
1
Posso ajudar?