As boas (e as nem tanto) da semana

As boas (e as nem tanto) da semana

Novos caminhos para o lixo
A aprovação, semana passada, da Política Nacional de Resíduos Sólidos pela Câmara dos Deputados deu uma injeção de ânimo nos ambientalistas. Em São Paulo, os arquitetos Sérgio Prado e Márcia Macul, da Associação Verdever, tentam emplacar o Programa Lixo Zero, Arquitetura Sustentável, Energia Renovável. Em tramitação desde 2007, o PL 1269/07 já foi aprovado em todas as comissões da Assembléia Legislativa e pode ser votado ainda neste ano.
O objetivo é minimizar o despejo de lixo reciclável no meio ambiente, destinando-o para políticas e ações públicas na utilização de arquitetura sustentável e energia renovável. Para isso, a Associação patenteou um projeto inédito de reaproveitamento de todo e qualquer tipo de resíduo rural e urbano. Segundo os arquitetos, podem servir como matéria-prima plásticos em geral, garrafas PET e até mesmo orgânicos, como folhas de árvores. A idéia é instalar pequenas Usinas Limpas nas comunidades para o processamento dos resíduos.
Utilizando como aglomerante o poliuretano vegetal, derivado das mesmas oleaginosas usadas na fabricação de biodiesel e bioquerosene, chega-se à produção de novos elementos construtivos. Segundo os arquitetos, esse novo material tem maior durabilidade, não racha nem dilata e oferece conforto térmico e acústico. Tanto a Faculdade de Arquitetura da USP quanto o Ministério da Ciência e Tecnologia/Finep estão desenvolvendo baterias de testes com os novos produtos.
Prova dos nove

A primeira mini-usina deve ser instaladas em Ubatuba, no litoral norte de São Paulo, onde a Associação Verdever já desenvolve um trabalho de educação ambiental com comunidades há alguns anos. Um galpão será construído pela prefeitura, inicialmente para tratar os resíduos da coleta seletiva, transformando-os em pisos, blocos, paredes e telhas. Com isso, além de diminuir custos com o transporte do lixo, tratando os resíduos no próprio bairro, e reduzir a poluição, o projeto gera trabalho e renda para as comunidades. Não só pela produção e venda do material construtivo sustentável, mas também porque incentiva a plantação de oleaginosas, para a produção do elemento aglomerante. Se funcionar, a prefeitura deverá instalar outras mini-usinas, para o aproveitamento da totalidade dos resíduos urbanos e rurais.
Mesmo tendo apenas 1% de seu lixo reciclável coletado atualmente, Ubatuba quer ser a primeira cidade verde sustentável do Brasil.
E por falar em lixo…
As empresas de limpeza e conservação de São Paulo também querem entrar na era da sustentabilidade. O Sindicato das Empresas de Asseio e Conservação no Estado de São Paulo (SEAC-SP) lançou uma cartilha para sensibilizar e conscientizar os associados sobre a importância das ações humanas na preservação do planeta.
A entidade patronal representa, atualmente, cerca de 2500 empresas de uma atividade que está entre as mais atuantes no campo da terceirização no Brasil e que emprega, hoje, cerca de 320 mil trabalhadores somente no Estado de São Paulo, com ramificações especialmente na indústria alimentícia, química e automotiva, em shoppings centers, no sistema hospitalar e órgãos governamentais.
Além dos principais conceitos envolvidos na questão da sustentabilidade, como responsabilidade socioambiental, consumo consciente e desenvolvimento sustentável, a cartilha ensina como cada um pode fazer a sua parte, individual e coletivamente. Também detalha práticas que podem ser adotadas pelas empresas, sobretudo em temas trabalhistas e de Recursos Humanos como, por exemplo, no cumprimento da Lei de Cotas para profissionais com deficiência, e da Lei do Aprendiz, cujo objetivo é facilitar o ingresso do jovem ao mercado formal de trabalho ao mesmo tempo em que incentiva a permanência na escola.
A cartilha encerra com uma frase sugestiva: “A atividade humana desequilibra o ambiente, mas há muito o que fazer para minimizar os danos.” Então… que tal começar?
Desmatamento diminui no mundo. Mas ainda assusta
Apesar da redução significativa na perda de florestas na última década – de 2,9 milhões de hectares anuais entre 1990-2000 para 2,6 milhões entre 2000-2010, o Brasil permanece como o país com o maior desmatamento no mundo. Os dados constam do relatório Avaliação Global de Recursos Florestais 2010 da FAO (*), a agência da ONU para a Agricultura e Alimentação.
No mundo, as perdas florestais equivalem a uma área superior a dois estados de São Paulo na última década, apesar de também ter havido diminuição – ou seja: é muito, mas há esperança já que, na comparação com a década de anterior, a queda no ritmo do desmatamento foi de 37,3%.
Além do Brasil, Indonésia e Austrália são apontadas como as maiores perdas líquidas de florestas no mundo. Já o país com maior ganho – pasmem – foi a China! Aliás, a Ásia, no geral, registrou um ganho líquido de 2,2 milhões de hectares anuais de florestas na última década, graças aos programas de reflorestamento adotados por vários países da região. Isso é bom, mas também traz preocupação. Segundo Mette Løyche Wilkie, coordenadora do relatório, o fato de os programas de reflorestamento da China, da Índia e do Vietnã estarem previstos para terminar em 2020 significa que existe uma ameaça de novo aumento nas perdas de florestas se não houver novas intervenções para conter o desmatamento e para promover o reflorestamento.

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