Prestação de contas ambientais

Prestação de contas ambientais

Estudo denominado “Como eram, são e serão feitos os relatórios de sustentabilidade”, realizado pela consultoria Ideia Sustentável com 50 grande empresas brasileiras identificou que a decisão de publicar o relatório de sustentabilidade decorre da combinação de três fatores. Tendo como base uma sondagem qualitativa, com 40 perguntas abertas, a pesquisa se propôs a levantar informações sobre a evolução e as tendências para o futuro relacionadas à prática de elaborar relatórios de sustentabilidade.
Segundo os depoimentos, por ordem decrescente de referências diretas e nominais colhidas junto aos entrevistados, suas empresas tomaram a decisão de publicar relatórios para (1) divulgar compromissos e ações socioambientais (20 menções); (2)ser transparente para o mercado e as partes interessadas (15); e (3) melhorar a gestão, a estratégia e o desempenho da empresa (11).
Em relação ao fator número (1), vale destacar uma justificativa, muito comum no discurso de organizações – e que, por consequência, também apareceu espontaneamente em dez depoimentos: a de que o relatório é um “um processo natural” para “comunicar à sociedade” as ações “que a companhia sempre desenvolveu.”
O seguinte depoimento textual reforça tal idéia: Começamos a divulgar nossas ações porque fomos pressionados a disseminar nossas boas práticas e exemplos”, relatou um dos executivos entrevistados.
A noção complementar de “prestação de contas”, que emergiu em  cinco depoimentos, foi justificada como uma “atitude natural e espontânea” da empresa, consequência de seus valores, princípios e missão e de seus compromissos com as partes interessadas. Esse argumento defensivo costumava, há uma década, ser adotado em resposta aos mais críticos, que classificavam os relatórios como meras “peças de marketing.”
Como a publicação de um relatório de sustentabilidade é voluntária e não obrigatória, fica difícil confirmar hipóteses sobre o quanto ele decorreu de convicção (movimento de dentro para fora) ou de conveniência (de fora para dentro). O mais provável é que tenha sido –e ainda seja — uma combinação dos dois fatores. Há outros elementos, colhidos no estudo, que ajudam a refletir sobre esse tema. Um deles tem a ver com o que foi definido como  uma certa “pressão dos mercados” e das “partes interessadas”
Para sete empresas entrevistadas, a decisão de publicar o relatório foi resultado de uma “valorização do instrumento por parte dos mercados” que passaram a demandar “maior transparência.” Na mesma linha, vale destacar as seguintes justificativas extraídas das entrevistas:  seguir uma tendência mundial; seguir uma recomendação da estratégia da matriz internacional; acompanhar protocolosexigidos no mercado internacional;  atender demanda da área de governança corporativa.
Outro elementos colhidos nas entrevistas atestam que os “stakeholders” mais exigentes  –e a necessidade de “contemplar os impactos” gerados a eles— exerceram influência considerável na decisão de publicar relatórios. Isso fica claro nas seguintes justificativas: “estabelecer canal de diálogo e melhorar o relacionamento com as partes interessadas” (6 menções); “analisar o impactojunto às partes interessadas” (2).
Dos depoimentos, foi possível recolher também informações que associam a decisão de publicar relatórios à consolidação deuma cultura de sustentabilidade e à inserção do tema na gestão cotidiana e no planejamento da empresa.
Em reforço a esses pontos ligados ao universo da “Gestão”,  uma das funções normalmente atribuídas ao relatório, cumpre registrar as seguintes justificativas: inserir o tema no planejamento estratégico (3); refletir, de modo estruturado, sobre as ações socioambientais e sua relação com o negócio (2); aprimorar a área de sustentabilidade (2).
Para conhecer outros pontos desse estudo, realizado por Ideia Sustentável, cuja disseminação teve o patrocínio do Bradesco, clique aqui.

Ricardo Voltolini é publisher da revista Ideia Socioambiental e diretor da consultoria Ideia Sustentável: Estratégia e Inteligência em Sustentabilidade.
[email protected]


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