Ordem, anarquia e inovação

Ordem, anarquia e inovação

No livro Emergência, Steven Jonhson analisa sistemas auto-organizados que dispensam a presença de um controle centralizado para haver ação
A partir da comparação entre o mundo biológico e cultural Steven Johnson analisa a fundo o comportamento emergente ou bottom-up (de baixo para cima) no seu livro Emergência – a vida integrada de formigas, cérebros, cidades e softwares. Nessa obra, o escritor norte-americano, apontado como um dos pensadores mais influentes do ciberespaço, observa que o comportamento emergente é comum aos sistemas naturais desde o formigueiro até o cérebro humano e também se revela nos modernos softwares. Todos esses exemplos formam sistemas auto-organizados, nos quais se dispensa a presença de um controle centralizado para haver ação.
A partir da análise de colônias de insetos sociais como as formigas e os cupins Johnson procurou entender a “conexão entre micro e macroorganização” em um sistema capaz de se autocoordenar sem que os indivíduos tivessem “acesso à situação global”.  Sem que nenhuma das formigas seja a responsável pela “operação global”, elas conseguem um alto grau de coordenação. São “comportamentos emergentes” onde as interações são colaterais e onde se presta atenção nos “seus vizinhos mais próximos” ao invés de ficar “esperando por ordens superiores”. As formigas agem localmente, mas a “ação coletiva produz comportamento global”.
O comportamento emergente, diz Johnson, é uma mistura de “ordem e anarquia”. Segundo ele, quando se trata de um sistema emergente é preciso desistir de tentar controlar. É preciso “deixar o sistema governar a si mesmo tanto quanto possível, deixá-lo aprender a partir de passos básicos”.
Assim,  cai por terra a figura do líder com a qual nos acostumamos, manifestação do modelo mental tipo top-down ainda predominante. Para Johnson, os administradores de alta escala terão evidentemente seu lugar, mesmo nas organizações de poder mais distribuído, mas não terão mais o papel de líderes. O que importa é como extrair o máximo da inteligência coletiva existente na instituição. Terão de se adaptar a um novo modelo, que se aproxima do limite do caos, como antecipou Fritjof Capra, mas também muito mais flexível e adaptável a novas situações, portanto mais inovador.
Emergência – a vida integrada de formigas, cérebros, cidades e softwares
Steven Johnson
Editora Zahar
R$ 40,00
231 páginas
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