É hora de fazer barulho

É hora de fazer barulho

Em meio às reuniões preparatórias para a Conferência do Clima em Copenhague (COP 15), a pesquisa World Wide Views on Global Warming (Visão Mundial sobre o Aquecimento Global) revela que 90% dos cidadãos de todo o mundo querem um acordo com medidas efetivas para combater as mudanças climáticas.
O levantamento, realizado com 4.400 entrevistados de 38 países, confirma o que pesquisas regionais já vinham apontando. No entanto, a crescente preocupação da opinião pública em relação ao aumento da temperatura da Terra não está sendo acompanhada da mobilização necessária para reverter o fenômeno.
Se pegarmos, por exemplo, os resultados do Brasil veremos que são bastante parecidos aos de países desenvolvidos como o Reino Unido (98% dos brasileiros responderam que o problema do aquecimento é urgente e um acordo para revertê-lo deve ser buscado na COP 15, contra 88% dos entrevistados ingleses). No entanto, a preocupação com o problema não tem se revertido em mudança de comportamento. Qualquer alteração de padrões de consumo, produção, políticas e estilo de vida requer articulação no nível regional e local.
Corremos o sério risco de repetir os erros cometidos no processo de elaboração e ratificação do Protocolo de Kyoto. E não são poucas as semelhanças da discussão anterior para a atual. O projeto de lei de energia proposto pela Administração de Obama para reduzir emissões de carbono, ao que tudo indica, não passará pela apreciação do Congresso norte-americano antes de dezembro, uma vez que a reforma do sistema de saúde concentra agora todas as energias do país. Mesmo com toda a boa vontade demonstrada por Barack Obama, mais uma vez, os Estados Unidos, maiores emissores do mundo, chegarão à negociação de mãos vazias. A China, a segunda no ranking de emissões – embora venha dedicando esforços para reduzir emissões a partir do estímulo a energias renováveis, por exemplo – se nega veementemente a assumir metas, quaisquer que sejam. No Brasil, o descompasso se dá em relação às políticas domésticas. Na penúltima reunião preparatória para Copenhague, que acontece nesta semana na Tailândia, Lula mais uma vez enalteceu a matriz energética brasileira, de fontes predominantemente renováveis. No entanto, vemos sinais controversos por parte do governo brasileiro que vem favorecendo o uso de fontes fósseis por meio de sua política de preços nos leilões de energia.
Na prática, restam menos de 15 dias de negociações preparatórias para a Conferência de Copenhague, mas avançou-se pouco na elaboração das propostas que nortearão a discussão do novo acordo climático. (Veja quadro abaixo). A sétima reunião do grupo de trabalho da Convenção do Clima teve início em Bangkok no dia 28 de setembro e se estenderá até 9 de outubro. Os negociadores do governo devem sair de lá com as propostas a serem discutidas em Copenhague, uma vez que haverá apenas mais um encontro anterior à COP 15, a ser realizado em Barcelona no mês de novembro.
Por mais que defenda uma visão pragmática da sustentabilidade, reconheço que este é o momento de fazer barulho. Tão importante quanto discutir a questão a partir de análises científicas e estimativas numéricas, é buscar formas de nos envolvermos pessoalmente nesse debate para colocar a questão do aquecimento global na ordem do dia. E não faltam opções nesse sentido.
Recentemente, organizações como Instituto Ethos de Empresas para Responsabilidade Social e o Conselho Empresarial para o Desenvolvimento Sustentável (Cebds) prepararam documentos com recomendações para os negociadores brasileiros com o intuito de cobrar uma posição de liderança do País na discussão do novo acordo climático. O Greenpeace, por sua vez, tem realizado intervenções para conscientizar a população quanto às conseqüências do aquecimento global.
Outra iniciativa que tem gerado mobilização em todo mundo é a Campanha Global de Ações pelas Mudanças Climáticas. Mais do que um simples abaixo-assinado por um acordo climático efetivo em Copenhague, o movimento acompanha discussões oficiais e não-oficiais referentes ao tema, organizando intervenções lideradas, principalmente, por jovens. Outra ação, conduzida pelo Instituto de Defesa do Consumidor (Idec), propõe uma reflexão sobre atitudes individuais com a Campanha Mude o Consumo para não Mudar o Clima. Outra forma de acompanhar as negociações do acordo climático de perto é por meio da leitura do blog Adopt a negotiator, que reúne colaboradores de vários países, inclusive do Brasil.

Confira as dicas abaixo e junte-se a esse movimento.

Box: Como de participar da discussão das mudanças climáticas?

1. Antene-se
Acompanhe as discussões relativas ao novo acordo climático global, a ser negociado em Copenhague. Informe-se sobre as ameaças e oportunidades relacionadas ao aquecimento global.

2. Saia de cima do muro
Compartilhe suas ideias, informações e impressões sobre as mudanças climáticas. Participe de abaixo-assinados, manifestações de rua ou pela internet.

3. Seja a mudança
Conheça a sua pegada de carbono e busque formas de reduzi-la. Evite deslocamentos de carros e, principalmente, de avião sempre que possível. Pratique os três R’s: Reduzir, reutilizar e reciclar, o que lhe ajudará a refletir sobre o impacto das suas atividades.

4. Cobre a mudança
Escreva e-mails a seus governantes e cobre deles medidas concretas para reduzir as emissões de carbono.

5. Penso, logo existo
Pratique o consumo consciente, leia rótulos, pesquise nos sites das empresas sobre a procedência dos produtos e dê preferência àqueles cujo processo de fabricação segue padrões de eficiência socioambiental.


Box: Pontos em discussão nas reuniões preparatórias à Conferência do Clima, em Copenhague:

  • Ações de adaptação às mudanças de clima
  • Redução de emissões de gases de efeito estufa provenientes do desmatamento e degradação de florestas (REDD)
  • Transferência de recursos financeiros e tecnologia e capacitação
  • Revisão das metas de redução de emissões pelos países desenvolvidos
  • Uso da terra e mudanças de uso da terra e florestas (sigla LULUCF em inglês)
  • Identificação de novos gases de efeito estufa
  • Definição de anos base para controle das reduções de emissões.


Fonte: Vitae Civillis

Box: Anote na agenda:

28 de setembro a 9 de outubro
Reunião preparatória para a COP 15 em Bangkok, Tailândia
Acompanhe pelo blog Adopt a negotiator e pelo site da Convenção do Clima da ONU [http://unfccc.int/meetings/items/2654.php]

16 de outubro
Stand up against poverty (Levante-se contra a pobreza)
Pelo quarto ano consecutivo, pessoas de todo o mundo se manifestarão em apoio ao combate a pobreza e alcance dos Objetivos do Milênio. Neste ano, o ponto central da campanha é a relação entre mudanças climáticas e pobreza.
Participe pelo site Stand against poverty

24 de outubro
Dia internacional do clima
A 350.org articulará pessoas em todo o mundo com o objetivo de chamar a atenção para o problema das mudanças climáticas.
Faça parte: 350.org

2 a 6 de novembro
Reunião preparatória para a COP 15 em Barcelona, Espanha
Acompanhe pelo blog Adopt a negotiator e pelo site da Convenção do Clima da ONU

7 a 18 de dezembro
15º Conferência das Partes da Convenção do Clima em Copenhague, Dinamarca.
Acompanhe pelo blog Adopt a negotiator e pelo site da Convenção do Clima da ONU

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