Desmaterialização da economia

Desmaterialização da economia

As tecnologias em informação e comunicação (ICT, do inglês Information and Comunication Tecnologhes) têm um papel decisivo na batalha contra as alterações climáticas. E mais do que oferecer soluções inovadoras, elas propõem um novo modelo de consumo, baseado na desmaterialização dos serviços e processos produtivos. É o que revela o levantamento Carbon Connections: Quantifying mobile’s role in tackling climate change, realizado pela Accenture e Vodafone, companhias do segmento de telecomunicações. De acordo com o estudo, esse setor tem o potencial de reduzir as emissões de carbono em até 113 Mt CO2e ao ano e cortar cerca de €43 bilhões dos custos de energia dos 25 países da União Européia até 2020.
Somente no campo da tecnologia wireless (conectividade sem fio), foram pré-selecionadas 13 oportunidades de redução de emissões de gases de efeito estufa, organizadas em cinco áreas-chave. Confira o quadro abaixo.
Áreas-chave
Desmaterialização – substituir produtos e processos físicos ou viagens por alternativas virtuais, como vídeo-conferência ou comércio on-line. Abatimento de emissões:  22.1 Mt CO2e. Redução de custos: €14.1 bilhões até 2020
Redes inteligentes – melhorar a eficiência das redes de eletricidade através de uma vigilância ativa e reduzir a dependência de produção descentralizada de eletricidade. Abatimento de emissões: 43.1 Mt CO2e. Redução de custos: €11.4 bilhões
Logística inteligente – monitoramento e rastreamento de veículos e suas cargas para melhorar a eficiência das operações logísticas, utilizando veículos de forma mais completa. Abatimento de emissões: 35.2 Mt CO2e. Redução de gastos: €13.2 bilhões
Cidades inteligentes – melhorar o tráfego e gerenciamento de serviços de utilidade pública. Abatimento de emissões: 10.5 Mt CO2e. Redução de gastos: €3.7 bilhões
Fabricação inteligente – sincronizando as operações de fabricação e incorporação de módulos de comunicação de produtos manufaturados. Abatimento de emissões: 1.9 Mt CO2e. Redução de gastos: €0.8 bilhões
Dessas áreas, a de smart grid e de smart logistics (redes e logística inteligentes) representam o maior potencial de redução, com 70% da economia de emissões de carbono identificada. Em termos redução de custos, a desmaterialização é a campeã da lista, com 14% de recursos poupados.
As aplicações proporcionadas pela tecnologia de conectividade wireless M2M (máquina à máquina) representam 80% de toda a redução nas emissões de carbono identificadas pelo levantamento, sendo os 20% restantes responsabilidade da cultura de desmaterialização. No entanto, desenvolver essas soluções demandará um custo para os consumidores de energia, exigindo investimento em hardware e software para ser habilitado pela conectividade wireless.
Algumas das oportunidades identificadas pela pesquisa, em especial as redes e cidades inteligentes, demandam despesas de capital relativamente altas, e levariam anos para serem implementadas, revela o estudo. Entretanto, podem render retornos significativos no longo prazo – cerca de €11.4 bilhões ao ano apenas das redes inteligentes. A Accenture, por exemplo, conseguiu um retorno de 300% a 500% sobre os custos operacionais mensais dos seus 30 terminais de telepresença devido a economia significativa em viagens de negócios.
Estima-se que a indústria de ICT sozinha tenha capacidade de evitar 15% das emissões de gases do efeito estufa previstos para 2020 e as aplicações wireless (sem fio) tem um papel fundamental nessa conta. Segundo o levantamento, outros setores da indústria, como o de tecnologias em informação e comunicação, logística e transporte, serviços de manutenção e manufatura gerenciado, exercem um papel fundamental para a redução de emissões.
Papel do governo
Desenvolver preços eficazes de carbono, bem como marcos regulatórios que incentivem o investimento em tecnologias, promover a interoperabilidade e a normalização dos serviços, facilitar a formação de consórcios para grandes oportunidades são alguns dos pontos levantados pela pesquisa para incentivar a utilização destes processos virtuais.
No que diz respeito especificamente às tecnologias ICT, o levantamento indica a necessidade de incentivos fiscais mais efetivos para a realização de pesquisas e desenvolvimento da área, a promoção de Cap and Trade (metas e comércio de emissões), bem como a compensação dos mecanismos que resultem na transferência de tecnologia e conhecimento para países em desenvolvimento.Segundo o relatório, a UE planeja oferecer € 200 milhões de financiamento para projetos de ecoinovação entre 2008 e 2013.
Para mais detalhes sobre o levantamento, clique aqui.

Inscreva-se em nossa newsletter e
receba tudo em primeira mão

Conteúdos relacionados

Entre em contato
1
Posso ajudar?