Comitê de sustentabilidade

Comitê de sustentabilidade

A sustentabilidade precisa estar intrinsicamente ligada ao DNA do negócio, com patrocínio direto da alta direção e sendo permeada de maneira orgânica por todos os setores internos. Estas foram algumas das constatações para indicar um caminho de êxito no tema durante a oitava reunião do Comitê de Sustentabilidade da Aberje. O encontro aconteceu no dia 26 de outubro no Teatro Folha do Shopping Higienópolis em São Paulo/SP, quando apresentaram visões corporativas os Grupos Santander Brasil e Holcim, através respectivamente de sua superintendente de Desenvolvimento Sustentável Linda Murasawa e do diretor comercial e de relações externas Carlos Eduardo Garrocho de Almeida. Também fez parte dos debates finais o CEO da Holcim, Carlos Bühler. A coordenação foi do consultor e jornalista Ricardo Voltolini, com moderação de Luis Fernando Nery, gerente de Responsabilidade Social da Petrobras.
O roteiro foi iniciado por Linda, que retomou os pilares divulgados pelo Relatório Brundtland, documento intitulado Nosso Futuro Comum e publicado em 1987, no qual desenvolvimento sustentável é concebido como “o desenvolvimento que satisfaz as necessidades presentes, sem comprometer a capacidade das gerações futuras de suprir suas próprias necessidades”. Ela ainda rememorou o Protocolo de Montreal e a própria Eco-92 do Rio de Janeiro como processos significativos no alastramento das discussões, fazendo sair dos campos das políticas pública e acadêmica para chegar nas empresas e na sociedade. Para a executiva, trata-se tão somente de pensar e agir sistemicamente, “não abrindo mão do econômico, mas integrando as dimensões sociais e ambientais em todas as decisões”. Referindo-se a alguns trabalhos desenvolvidos no Banco Real, menciona a recriação de uma frase do Prêmio Nobel de Economia, Milton Friedman, quando a instituição financeira passou a entender que “o negócio dos negócios é o negócio sustentável, para o que a consciência da repercussão dos relacionamentos com diversos públicos é fundamental. A essência está no indivíduo como força aglutinadora ou desagregadora, a partir do seu nível de engajamento em movimentos de irradiação. “A construção tem que ser coletiva, ainda que sejamos preparados profissionalmente para visões fragmentadas”, manifesta, incluindo até mesmo a ocorrência de auditorias de práticas solicitadas por ONG´s.
No âmbito estrutural, defende a gestão do tema através de uma “diretoria biodegradável”, que tende à extinção na medida da disseminação dos preceitos em todos os setores, sem atividades paralelas e concorrentes e sem a atribuição de responsabilidades a um único departamento. Ela conta que quando começaram a pensar em um novo jeito de fazer negócios, o primeiro passo adotado foi rever os processos de gestão com base no trabalho conjunto de todos os  funcionários. Desde o início, perceberam que se conseguissem influenciá-los em todos os seus papéis, dentro e fora do trabalho, a mudança seria muito mais ampla. Aí que veio a constatação de que seria necessário avaliar as práticas socioambientais das empresas antes de conceder o crédito, e que deveriam incentivar e reconhecer aqueles funcionários que propusessem novos processos ou produtos para acelerar a inserção da sustentabilidade nos negócios.
A superintendente então explicou como foi levado o movimento de sustentabilidade para a concessão de crédito. A resposta veio com a criação da área de Risco Socioambiental e uma profunda alteração na avaliação do risco das transações. Além de aspectos econômicos, passaram a analisar questões sociais e ambientais envolvendo as operações de clientes corporativos. A proposta é influenciar os clientes na adoção de práticas sustentáveis, com uma postura inclusiva que detecta os problemas socioambientais e aponta soluções para o cliente mudar atitude. Ao lado disto, a prática mostrou que há uma freqüente coincidência entre problemas socioambientais e problemas financeiros. A empresa que cuida do bem-estar de seus funcionários e do ambiente em que atua costuma ter uma gestão mais eficiente e, portanto, mais chances de honrar seus compromissos. Entre os principais itens monitorados estão as licenças ambientais, a disposição de resíduos sólidos, o controle da poluição do ar e o tratamento de efluentes líquidos. Também são observados aspectos como número de acidentes, higiene, segurança e medicina do trabalho, indícios de trabalho infantil ou escravo e terceirização de processos poluentes e perigosos.
Outra vertente de atuação foi reduzir os impactos ambientais das agências e prédios administrativos a partir de 2001. No ano seguinte, foi lançado o programa de ecoeficiência – que significa produzir mais usando menos recursos naturais e compreende o conceito dos 3Rs (reduzir, reutilizar e reciclar), com coleta seletiva, redução do consumo de água e de energia elétrica e da geração de resíduos como copos plásticos, papel e lixo, uso de papel certificado, monitoramento de emissões de gases de efeito estufa e plano de redução ou compensação dessas emissões. Modificações internas ainda foram implementadas na contratação de promoção de funcionários com estímulo à diversidade, inclusive no alto escalão, e também na criação de um programa de voluntariado corporativo. “A sustentabilidade é um grande vetor de inovação. E a transformação só acontece pelas pessoas”, finalizou.
ESTRATÉGIA – Na seqüência, Carlos Eduardo Almeida falou dos pilares da política de Responsabilidade Social Corporativa da Holcim – empresa suíça presente em 70 países e com 85 mil funcionários. Entre eles, estão a conduta exemplar nos negócios, as boas práticas empregatícias, a saúde e segurança do Trabalho, o envolvimento com a comunidade, o relacionamento com clientes e fornecedores e o monitoramento e relato de desempenho. Segundo ele, responsabilidade social para a Holcim Brasil é uma questão estratégica e prioritária. Por isso, o tema é parte de sua Política Integrada de Gestão e é parte da estratégia de negócios da empresa, orientando sua tomada de decisões e realização de ações. O compromisso é dialogar e trabalhar com as partes interessadas (stakeholders), construindo e mantendo relacionamentos de mútuo respeito e confiança. A intenção é contribuir para o sucesso de clientes e fornecedores, qualidade de vida dos colaboradores e desenvolvimento sustentável das comunidades onde opera, assumindo papel de liderança nos setores de atuação. “É um processo contínuo de aprendizado, com humildade para ouvir”, resume.
Criado em 2002, o Instituto Holcim é uma associação sem fins lucrativos que tem por objetivo coordenar os investimentos sociais da Holcim Brasil e fortalecer o relacionamento da empresa com as comunidades onde atua. Reconhecido como Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip), o Instituto atua em quatro áreas: desenvolvimento local, empreendedorismo, cidadania e meio ambiente. As estratégias adotadas nos projetos apoiados envolvem capacitação e aprendizagem, mobilização e articulação, desenvolvimento de base e co-financiamento e parcerias em projetos. Por meio de Capacitação e Aprendizagem, o Instituto visa estimular o aumento da informação, da escolaridade e do conhecimento dos moradores das comunidades apoiadas. Em Mobilização e Articulação, o Instituto atua mobilizando as pessoas e organizações, bem como articulando os setores público e privado, em prol de uma ação conjunta.
Com o Desenvolvimento de base, o Instituto tem por objetivo fortalecer as organizações comunitárias, para que assumam um papel de protagonistas, identificando suas necessidades, propondo soluções para seus problemas e implementando ações com o uso de recursos de que dispõem. E a partir do Co-financiamento e parcerias em projetos, o Instituto apóia técnica e financeiramente projetos comunitários e sociais sempre com o envolvimento dos próprios beneficiários, bem como articula alianças com outras instituições financiadoras. O enfoque é claro para o diretor: “o investimento social deve ser de longo prazo e ter visão sistêmica. É importante o alinhamento ao negócio e o planejamento de ações integradas, com a construção em conjunto com vários stakeholders”.
A Holcim Foundation for Sustainable Construction é outro formato de atuação. Foi criada para melhorar a consciência internacional sobre o importante papel que a arquitetura, a engenharia e a construção têm em ajudar a obter um futuro mais sustentável – e em acelerar as respostas radicalmente diferentes necessárias para tornar esse futuro alcançável.  Com isto em mente, o principal objetivo tem sido selecionar e dar suporte a uma variedade de iniciativas que vão além das soluções técnicas, criando resultados de construção sustentável que possuam excelência arquitetônica e maior qualidade de vida. Trabalha junto a algumas das universidades técnicas líderes no mundo, como o Instituto Federal de Tecnologia da Suíça, o Instituto de Tecnologia de Massachusetts nos EUA, a Universidade Tongji na China e a Universidade de São Paulo no Brasil.
A Holcim Foundation for Sustainable Construction é outro formato de atuação. Foi criada para melhorar a consciência internacional sobre o importante papel que a arquitetura, a engenharia e a construção têm em ajudar a obter um futuro mais sustentável – e em acelerar as respostas radicalmente diferentes necessárias para tornar esse futuro alcançável.  Com isto em mente, o principal objetivo tem sido selecionar e dar suporte a uma variedade de iniciativas que vão além das soluções técnicas, criando resultados de construção sustentável que possuam excelência arquitetônica e maior qualidade de vida. Trabalha junto a algumas das universidades técnicas líderes no mundo, como o Instituto Federal de Tecnologia da Suíça, o Instituto de Tecnologia de Massachusetts nos EUA, a Universidade Tongji na China e a Universidade de São Paulo no Brasil.

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