Segurança energética e comercial

Segurança energética e comercial

Propostas como a da Lei Waxman-Markey, primeira legislação americana sobre mudanças climáticas, a ser votada no Congresso no próximo dia 28 de setembro, mostram que o cenário de uma economia de baixo carbono pode estar mais próximo do que se imaginava, obrigando empresas a rever processos e tecnologias rapidamente, sob a pena de perderem mercados expressivos.
Entre os setores que mantém relação comercial com a economia americana e podem enfrentar mudanças significativas nos próximos tempos estão o de petróleo, metais primários, minerais não metálicos, papel e celulose e químicos.
Para debater a questão, foi realizado na última terça-feira o encontro “Impactos do acordo climático na produção e geração de energia”, na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). O debate contou com a participação de Diego Bonomo, diretor-executivo da Brazil Industries Colition (BIC), Vera Thorstensen, assessora econômica da Missão do Brasil em Genebra, junto à Organização Mundial do Comércio (OMC), e Marco Antonio Fujihara, diretor da Key Associados.

“O custo de não fazer nada [em relação às mudanças climáticas] é a segurança energética dos EUA”. Diego Bonomo, diretor-executivo da Brazil Industries Colition (BIC).

No evento, concluiu-se, por exemplo, que a herança Bush nas áreas econômica, comercial e de segurança energética aos poucos fica no passado da história americana. Diferentemente do governo anterior, a agenda da atual da administração inclui energia (e mudanças climáticas), saúde, educação e transparência, com a retomada da liderança pelos democratas.
Nesse contexto, o empenho pela adoção de políticas de eficiência energética provavelmente ganhará força daqui para frente. E poderá afetar também as empresas americanas e exportadoras que tem relações comerciais com o país. O aumento de custos e a redução de investimentos podem resultar na queda de produtividade e conseqüente diminuição de postos de trabalho. Outro dilema sobre a implementação de políticas e regras de eficiência energética é o chamado vazamento de carbono, quando empresas americanas vão para outros países e emitem gases de efeito estufa fora de seu território para driblar a legislação.

Diante desse cenário, destacam os participantes, avaliar barreiras de importação e exportação, ampliar acesso comercial e melhorar o marco regulatório entre os países são medidas fundamentais para a preservação do mercado.
Opções como o imposto do carbono e o sistema Cap and trade, além de programas como o Emission Allowance Rebote Program (EARP) e o International Allawance Reserve Program (IARP), tem sido discutidos como alternativas para indústrias intensivas em energia e comércio.
Em relação à Conferência de Copenhague, os especialistas indicaram que China e Índia serão as “vedetes da discussão” entre os emergentes e há uma grande necessidade do estabelecimento de novas formas de negociação, planos e metas de cooperação nas Américas.


“Pode-se exarcebar vantagens comparativas de certos produtos brasileiros tornando-os muito competitivos. Um exemplo é a energia renovável. Tudo o que tem a ver com energia renovável no Brasil pode crescer. O que se precisa é uma posição mais pró-ativa ao invés de uma posição reativa”. Marco Antonio Fujihara, diretor da Key Associados

Box:
A Lei Waxman-Markey, ou Ato de Energia Limpa e Segurança 2009, estabelece:

  • Meta de redução de 17% das emissões norte-americanas de CO2 até 2020, com base em 2005, e de 83% até 2050.
  • Sistema cap and trade, estabelecimento de metas e esquema de comércio de emissões evitadas de carbono.
  • Empresas geradoras de energia devem ter 20% da matriz renovável até 2020.
  • Investimentos em tecnologias limpas e energias renováveis, captura e seqüestro de carbono, veículos elétricos e pesquisa científica
  • Novos padrões de economia de energia para eletrodomésticos e edifícios, que deverão ser 30% mais eficientes até 2012 e 50% até 2016.

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