Inovar para liderar

Inovar para liderar

A adaptação dos negócios às mudanças climáticas requer o desenvolvimento de competências para a construção de uma economia sustentável que passa por inovação, mudança de cultura de consumo e visão no longo prazo. É o que prega o presidente do World Business Council for Sustainable Development (WBCSD), Björn Stigson.
Em conversa com Ideia Socioambiental, durante o evento Cidades Sustentáveis, realizado pelo Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS) – representação do WBCSD no Brasil – Stigson também destacou a necessidade de os países se posicionarem na “corrida verde” para transformar o mercado e serem líderes na transição para uma economia de baixo carbono. Para ele, coalizões entre setores serão necessárias e fazem parte de uma tendência que já começa a se apresentar.
IS: Muitas companhias têm feito esforços no sentido de mitigar suas emissões, mas apenas uma parcela trabalha de outras formas no combate às mudanças climáticas. Como estimular novas ações por parte das empresas?
Stigson: Muitas das empresas líderes globais exercem um papel ativo na transição para uma economia de baixo carbono, como as que integram o World Business Council. Isso é a primeira coisa relevante: a crescente atuação das companhias que desejam ver a mudança acontecer.
O problema que enfrentamos não é tanto no lado dos negócios, mas sim na construção de diálogo e engajamento com os governos. Estamos trabalhando no sentido de promover ideias sobre o que fazer e nesse engajamento com o setor público.
IS: Quais setores serão mais afetados pelas mudanças climáticas e quais terão um papel de liderança na transição para um modelo mais sustentável?
Stigson: O setor de transportes será afetado de maneira significativa. E nós já vemos agora como tudo está mudando: os veículos, por exemplo, serão cada vez menores, híbridos, elétricos. Também teremos impactos no setor de aviação e em outros tipos de transportes. Mas o que temos visto é que empresas de bens de consumo estão começando a sentir uma pressão maior sobre o que vendem, especialmente quando se trata de produtos relacionados à saúde, como os produzidos pelo setor de alimentos, há uma pressão muito forte sobre essa indústria. Então o impacto não será apenas na indústria pesada, haverá muito impacto relacionado ao consumo.
IS: Na sua opinião, as empresas têm incentivado essa mudança no modelo de consumo?
Stigson: Certamente. Muitas idéias estão sendo desenvolvidas. Começamos um novo projeto agora, chamado Sustainable Value Chain, para uma mudança mais rápida no modelo de consumo, que conta com empresas como Coca-Cola e Protect and Gamble. Quando se olha para a cadeia de valor dos alimentos, percebe-se que ela é muito extensa e dispendiosa em questão de transporte, por exemplo. Esse é um aspecto que temos olhado particularmente com atenção.
IS: Existem oportunidades para criação de novos negócios nesse cenário?
Stigson: Haverá uma enorme necessidade de inovação. O que está acontecendo é uma mudança na forma como os setores são vistos.  Por exemplo, a área de serviços de eletricidade está atuando muito mais perto da indústria de construção eficiente, cooperando com o setor automobilístico para o funcionamento de carros elétricos, com a indústria de TI. Em 2050, haverá 9 bilhões de pessoas que precisarão viver bem e, para fazer isso acontecer, a quantidade de inovação e transformação necessária para os setores de negócios é enorme. Esse é o porquê de estarmos apoiando a “corrida verde”, e o Brasil deve entrar nessa corrida e fazer sua lição de casa para ser uma economia líder no futuro.

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