Inovação sustentável

Inovação sustentável

Como conduzir os esforços de inovação para uma economia sustentável? Foi essa a reflexão proposta por Ricardo Voltolini no Universo Qualidade, evento realizado em São Paulo, na última semana de agosto. Com o mote Inovação: pensar e agir diferente para liderar, o debate contou ainda com a participação de José Miguel Chaddad, consultor da Anpei – Associação Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento das Empresas Inovadoras, e Silvio Meira, cientista-chefe do Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife – (C.E.S.A.R).
Chaddad abordou a necessidade por inovação, sobretudo em um cenário de crise. Enquanto Meira ressaltou a importância da questão tecnológica para a evolução humana. Voltolini, por sua vez, trouxe para o debate a questão da sustentabilidade. Segundo ele, o esgotamento dos recursos naturais exige que repensemos os modelos de produção e consumo atuais. “A negação do processo de extração, produção e descarte, herdado da longínqua era industrial, deve ser o ponto de partida desse processo de mudança”, destaca.
Dessa forma, como tornar uma empresa competitiva em um cenário de fragilidade ambiental? A saída, segundo o consultor, é buscar a intersecção entre os interesses dos negócios, os da sociedade e os do planeta, além do fortalecimento nas relações com seus públicos de interesse. “As organizações terão que ser flexíveis, não fragmentadas, facilitar o diálogo, ser tolerantes às diferenças, menos hierárquicas, um tanto caóticas – porque um pouco de caos controlado ajuda na criação – e abertas à colaboração dos públicos de interesse”, conta.
Ainda de acordo com Voltolini, para que a mudança no modelo de desenvolvimento aconteça na prática, será necessário fazer uma transformação nos modelos mentais, que já pode ser vislumbrada pela crescente onda verde que se instala na pauta dos grandes investidores, mesmo a despeito da crise. A onda é baseada em duas fontes de pressão: a primeira provém do sentimento de que os limites do planeta vão restringir as operações de negócios, redesenhando mercados. Já a segunda resulta do crescente número de indivíduos sensíveis às questões ambientais. “Para atuar de modo sustentável, as empresas deverão investir em inovação, seja em tecnologias, serviços ou produtos. Elas terão quer ser vivas, educadoras, aprendizes e assemelhadas às estruturas dos sistemas biológicos”.
Algumas soluções no âmbito empresarial, de acordo com Voltolini, estão na redução da quantidade de matéria-prima e energia por unidade produzida, na desmaterialização de produtos, no investimento em ecodesign, na eliminação de sustâncias tóxicas e no aumento da vida útil dos produtos. Ele conta ainda que o conceito de inovação não implica necessariamente a criação de novos produtos, já que esse movimento demandaria ainda mais recursos naturais para sua produção, distanciando a transformação verde das condições de fornecimento do planeta.
Um dos cases inovadores destacados pelo especialista foi o restabelecimento da Nike, que saiu de um processo de acusações de irresponsabilidade social nos anos 1990, para a criação de um grupo de estratégias sustentáveis, que integrou os departamentos de inovação, designers, gerentes de produto e engenheiros. A empresa também implantou um planejamento participativo para estimular a sugestão de ideias, estabelecendo metas verdes. “Os resultados mostram que a fabricante de calçados conseguiu ter padrões elevados na redução de desperdícios e responsabilidade coletiva na fabricação, investindo na equação do sucesso pautada na geração de riqueza, equilíbrio ambiental e justiça social”, afirma.
Ponto para a Nike
A empresa criou uma linha de vestuário inteiramente à base de algodão orgânico, uma resposta para o histórico de produções dependentes da utilização do petróleo. Também livrou-se das toxinas químicas contidas em componentes de peças de borracha utilizados na fabricação de seus tênis; retirou completamente os solventes dos processos de manufatura e começou a pesquisar e utilizar materiais alternativos ao PVC em toda a sua linha de produtos.

Sustentabilidade em cinco etapas
Que o desenvolvimento sustentável está completamente atrelado aos ideiais de inovação Voltolini não tem dúvida. Para o especialista, no entanto, a implementação de uma cultura de inovação baseada na sustentabilidade faz parte de um processo que é gradual e deve passar necessariamente por cinco etapas:

  • Escolher questões do seu negócio que repercutirão em seus clientes, procurando atender suas necessidades referentes as questões socioambientais.
  • Envolver os fornecedores, para que as operações fiquem mais sustentáveis;
  • Concentrar-se naquilo que a empresa conhece e faz melhor;
  • Antecipar-se às mudanças transformando o que seriam desafios para os clientes em oportunidades de negócios,
  • E capacitar seus funcionários, para que eles percebam as oportunidades e ajudem a construí-las.

O papel do consumidor também é fundamental para a formação desse cenário, o que já pode ser visto com o aumento do número de consumidores preocupados com as causas ambientais e dispostos a pagar mais por produtos e serviços verdes. Voltolini conta que o cenário é positivo em todo o mundo, inclusive no Brasil, e aposta na equivalência nos preços de produtos ecologicamente corretos aos convencionais, de origem poluente, no médio prazo. “Com uma procura maior por parte dos consumidores pelos produtos verdes, o movimento acontecerá pela simples lei de oferta e demanda: quanto mais as pessoas consomem, mais as empresas produzem, sendo maior a tendência de os preços se alinharem aos demais produtos do mercado, com a diferença que os produtos verdes têm um apelo forte de valor”.
Clique aqui e confira a apresentação de Ricardo Voltolini.

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