Educação para sustentabilidade

Educação para sustentabilidade

Mecenas da sustentabilidade
O Brasil também têm suas histórias para contar no capítulo da educação para a sustentabilidade. Uma delas surgiu da paixão de dois líderes pela área: Cláudio Pádua, vice-presidente do Instituto de Pesquisas Ecológicas (IPE) e Guilherme Leal, co-presidente do Conselho de Administração da Natura.
Ainda que em setores diferentes, ambos têm militado pela revisão de modelos econômicos e culturais. Mas não podiam supor que essa afinidade resultaria em uma parceria que possibilitou a criação do primeiro mestrado profissional em conservação ambiental e desenvolvimento sustentável no Brasil.
Pádua e Leal se conheceram nas reuniões de Conselho do Fundo de Conservação da Mata Atlântica (Funbio). Em uma dessas ocasiões o empresário comentou que gostaria de acompanhar as atividades do IPE. “O Guilherme passou um dia conosco e sempre que falávamos de educação demonstrava interesse. Ao final da visita me perguntou como poderia nos ajudar”, conta Pádua.
O presidente do IPE preferiu não responder de imediato e disse que encaminharia uma proposta ao executivo da Natura. O tempo solicitado não foi pela falta de uma ideia, mas sim para apresentar aquele que seria o projeto de sua vida. Em 1984, Pádua fez o doutorado na Universidade da Flórida, a primeira instituição de ensino a implementar os conhecimentos na área de conservação biológica. Retornou ao Brasil em 1992, em meio a efervescência dos debates sobre sustentabilidade por conta da realização da Conferência de Meio Ambiente das Nações Unidas no País.
Desde então, nutre o desejo de criar uma escola de especialização em sustentabilidade. Tentou viabilizar essa ideia durante o tempo que atuou na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz  (Esalq) e na Universidade de Brasília (UNB), mas esbarrou em dificuldades burocráticas.
Com a criação do IPE, impôs-se a tarefa de fomentar a especialização de profissionais em desenvolvimento sustentável. Hoje, a instituição conta com um corpo de 12 doutores e 20 mestres nas mais diversas abordagens do tema, além de oferecer cursos livres em empreendedorismo e sustentabilidade.
Percebendo uma possibilidade real de concretizar seu sonho com a manifestação de apoio de Leal, Pádua tratou de buscar auxílio para formular sua estratégia. “Por meio da Ashoka cheguei a consultoria Mckinsey e obtive o apoio dos diretores da empresa. Os consultores passaram dois meses conosco elaborando um plano de negócio”, afirma.
Terminado esse processo, Pádua tinha a proposta para Leal e a resposta do empresário foi positiva. A Natura financiaria a construção das instalações da sede do curso de mestrado em conservação ambiental e sustentabilidade, certificada pelaLeadership in Energy and Environmental Design (LEED).
O programa foi o primeiro mestrado profissional em sustentabilidade a obter o reconhecimento da Capes e teve início em 2008. Aproposta combina os princípios da conservação biológica e a experiência do IPE na área educacional, assim como de empresas, entre elas a própria Natura, na condução de estratégias de negócios baseadas no triple bottom line.
Para Pádua a aproximação entre companhias e instituições de ensino pode ser muito rica para desenvolvimento de propostas educacionais na área de sustentabilidade. “Muitas empresas já nos procuram para apresentar seus dilemas e desenvolver soluções em conjunto. Há experiências de qualidade, mas é preciso coragem para inovar as estruturas de ensino e propostas educacionais”, ressalta.
O programa tem a duração mínima de 18 meses e máxima de 24 meses. As atividades são desenvolvidas todos os dias da semana, totalizando 40 horas. No primeiro ano, o curso exige dedicação exclusiva dos alunos que deverão morar no Campus da Universidade,localizada na cidade de Nazaré Paulista, interior de São Paulo.

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