Aquecimento global em alta

Aquecimento global em alta

De cada 10 cientistas climáticos, nove não acreditam que esforços políticos possam restringir o aquecimento global em 2ºC – que representa uma média de aquecimento desde a revolução industrial, segundo levantamento do jornal britânico The Guardian. Um aumento de 4º-5ºC até o final deste século é mais esperado, segundo os especialistas ouvidos pela publicação, contribuindo para a potencialização das emissões de carbono.
As mudanças podem diminuir disponibilidade de alimentos e água, exterminar milhares de espécies de plantas e animais elevarem o nível do mar ao ponto de engolir centenas de milhares de casas.
A sondagem de quem segue o aquecimento global mais estritamente expõe um gap entre as políticas de preservação e os pareceres científicos sobre as alterações climáticas. Enquanto as campanhas políticas se focam no alvo 2ºC, 86% dos especialistas afirmaram na pesquisa do The Guardian que não acreditam na concretização desse número. Eles alertam ainda que a priorização do aumento irreal de 2ºC, definido pela UE como perigosa, pode prejudicar os esforços essenciais para a adaptação inevitável do aumento de temperatura estimada para as próximas décadas.
O The Guardian contatou todas as 1.756 pessoas inscritas para a conferência de Copenhagen, e perguntou se a meta de 2ºC realmente poderia ser alcançada, e se acreditavam em sua efetivação. De 261 respondentes – representando 26 países -, 200 eram pesquisadores em ciências climáticas e áreas relacionadas ao tema, sendo o restante profissionais das áreas de economia, ciências políticas e sociais. 60% dos entrevistados argumentaram que, na teoria, ainda é possível alcançar técnica e economicamente a meta, que representa uma média de aquecimento global de 2C desde a revolução industrial. De lá pra cá, o mundo já sofreu um aquecimento de 0,8C.
O levantamento chega no momento em que a ONU negocia um novo tratado global de regulação das emissões de carbono, a fim de elaborar um documento sucessor para o protocolo de Kyoto, que tem a primeira fase prevista para expirar em 2012. A meta dos 2ºC tem poucas chances de vigorar em um novo tratado, mas a maioria dos cortes de carbono propostos por países ricos estão baseados neste número. Bob Watson, cientista chefe do Department for Envirolment, Food and Rural Affairs (Defra), do Reino Unido, afirmou ao Guardian no ano passado que o mundo deve sim se focar na meta dos 2ºC, mas também se preparar para um possível crescimento de 4ºC.
De acordo com 84 de 182 cientistas, a temperatura do mundo até o final do século deve aumentar cerca de 3º-4ºC; 47 sugerem um crescimento de 2º-3ºC, enquanto uma minoria espera por 6ºC ou mais.

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