Capitalismo Predatório e Sustentabilidade Consciente

7 de julho de 2010

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Capitalismo Predatório e Sustentabilidade Consciente - Ideia Sustentável

Que a sustentabilidade é a pauta do momento nos fóruns corporativos de alto, médio ou baixo escalão, já não é novidade. Os conceitos estão cada vez sendo mais compreendidos, iniciativas (pontuais ou estratégicas) adotadas e resultados obtidos por empresas e instituições. Porém, buscamos neste artigo olhar as dinâmicas que fomentam ou impedem a adoção da sustentabilidade em um espectro amplo – em sua acepção como modelo econômico, setorial e de negócios e não como atividade filantrópica, indireta ou colateral.
Humildade Corporativa
Valores como ética, transparência e confiança nas relações de negócios só podem ser construídos de forma sistêmica, ou seja, com a participação de todos os players de um determinado setor ou rede de stakeholders, o que demanda um nível significativo de maturidade corporativa e setorial.
Na lógica de um mercado sustentável, se uma única empresa agir de forma não-sustentável em busca de uma maior competitividade em atributos básicos, como preço e qualidade, estará praticando concorrência desleal (como trapacear, na teoria dos jogos), desqualificando os esforços das demais empresas concorrentes na agregação de uma camada superior de valor – uma vez que a realidade atual da decisão de compra e relacionamento comercial (realidade esta destinada a durar por muito tempo) é pautada primeiramente (e primariamente) em critérios mais objetivos e “egoístas”.
Perpetuação do Modelo Insustentável
A analogia de que uma corrente tem sua maior força em seu elo mais fraco resume bem este ponto e não precisamos ir muito longe (na verdade precisamos, para o outro lado do mundo) para perceber que alguns dos vetores de crescimento de dois dígitos do império chinês não são nem de longe humanamente consideráveis.
Infelizmente, práticas sub-humanas são alguns dos pilares nos quais o capitalismo historicamente se ancora e é sempre bom lembrar que existirão terras além-mar, sub e super-subdesenvolvidas, para garantir a perpetuação desse modelo. Basta imaginar o que acontecerá com a África nos próximos 50 anos, assim que o Oriente perder sua “competitividade” ou se “europeizar” (se é que vai).
Na nossa interpretação, muito mais do que uma decisão político-econômica, potencializada pelas consequências desastrosas das ações humanas em seu meio, a adoção da sustentabilidade é um processo traumático de choque de naturezas humanas (e gerações) nas camadas de alto poder das instituições que regem o mundo, seja por consciência endógena, osmose ou por mero interesse individual.
Aplicação do Modelo Sustentável
Seja lá qual for a motivação, o processo de transformar o conceito e aspiração sustentável em realidade comum às empresas e mercados exige monitoria intensa, controle, organização, formalização e validação consensual para domar hábitos históricos e índoles desnorteadas, já que o norte que rumamos se torna outro.
Tais processos são árduos e exigem um grande dispêndio de energia das corporações e instituições: um trade-off de recursos escassos antes alocados em atividades produtivas para atividades de controle.
Por fim, e por ora, vale lembrar que este processo parece ser anti-econômico em essência, mas apenas se considerarmos o significado atual do termo “econômico”, aquele que olha apenas o financeiro, em detrimento do social e do ambiental. Acreditamos que não é este o norte para onde queremos rumar. Ou continuar rumando.

*Pedro Henrique Mello é Consultor de Estratégia da DOM Strategy Partners

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