Ricardo Voltolini – O desafio de formar consumidores conscientes

Ricardo Voltolini – O desafio de formar consumidores conscientes

O compromisso das empresas em relação à sustentabilidade é algo que tem sido fortemente cobrado pela mídia, governos, entre outros representantes da sociedade. Mas como está esse comprometimento em relação à educação do consumidor? Para tornar esses indivíduos agentes pró-ativos na mudança dos padrões de consumo é necessário educar e informar, além de investir em ações e produtos mais sustentáveis. Essa é a posição do o consultor Ricardo Voltolini. Confira a entrevista com o especialista sobre o tema, na qual expõe a necessidade de mais empenho das corporações para a formação de uma sociedade sustentável.

Ideia Sustentável: Como está a evolução do consumo consciente no Brasil? Qual o impacto dessa nova consciência do consumidor para a estratégia das empresas?

Ricardo Voltolini: Faltam dados apurados para fazermos uma avaliação mais criteriosa. O que já podemos admitir com algum grau de certeza é que as questões socioambientais estão na agenda do consumidor brasileiro. Quando falamos em sustentabilidade, tratamos de uma evolução de paradigmas da sociedade. Baseado no valor ascendente desse início de século XXI de que os recursos são finitos, essa consciência vai tomando corpo.
Hoje, são muitas as evidências científicas sobre aquecimento global, esgotamento de recursos. Em um cenário comparativo, 8 entre dez americanos, canadenses e australianos valorizam muito essas questões na hora de comprar. Ou seja, eles olham o rótulo, observam, preferem um produto no qual a embalagem indique que uma empresa emitiu menos carbono ou fez manuseio de matéria-prima mais ecologicamente responsável, por exemplo. Olhando para os europeus, na média, 5 entre 10 tem esse comportamento. E além de premiar, tem o hábito de punir também, não adquirindo ou falando mal de determinado item.
No Brasil os números dão conta que são menos de duas entre dez pessoas que cultivam essa atitude. Ou seja, fazendo uma comparação internacional, o Brasil ainda está um pouco atrás – com muita propaganda, poucas informações no rótulo e pouco material informativo em pontos de venda.
IS: Como o consumidor pode se tornar mais consciente? Parcerias entre diversos setores, como fornecedores e varejo, são fundamentais?

RV: Devem existir parcerias e informações mais claras. Por exemplo, se um consumidor compra um produto ecologicamente responsável, deve haver algum indicativo sobre suas vantagens socioambientais. A impressão é que as empresas estão esperando o próprio indivíduo evoluir e tomar alguma atitude. E um esforço que precisa ser feito é o de educação por parte das empresas – no momento em que se cria a solução de um produto, deve-se comunicar de forma didática, apresentando ao consumidor os benefícios, sem esquecer o restante de seus atributos.

IS: Os consumidores costumam reclamar também da diferenciação de processos, como por exemplo, lançamento de produtos. Quando se lança um item “comum”, geralmente há uma instalação nos pontos de venda com mais informações, amostras grátis. Os produtos que contém aspectos sustentáveis, ainda estão mais “escondidos” e esse fator desestimula o consumidor a experimentá-los?

RV: Parece-me que essa timidez, essa falta de ousadia, revela uma insegurança por parte das companhias em relação ao questionamento de que se realmente é tão importante investir nisso. Muitas empresas não vão fazer, por exemplo, uma propaganda na televisão, devido ao alto custo. Mas deve-se ao menos ter uma comunicação no ponto de venda. Se uma pessoa já tem uma tendência a seguir um estilo de vida mais consciente e percebe determinado aspecto socioambiental de um produto, pode tomar uma decisão mais fundamentada.
Quando se faz a estratificação dos estudos sobre o tema, percebe-se que pessoas com maior nível de escolaridade aqui no Brasil, principalmente nas grandes capitais, já tem o mesmo padrão de comportamento de consumo consciente que os europeus, americanos e canadenses.
IS: No caso dos produtos orgânicos, que estão entre os itens com aspectos sustentáveis mais vendidos, não há um tipo de consumo muito associado à questão individual da saúde?
RV: São dois os aspectos que devem ser considerados: as pessoas consomem também motivadas por impulsos egoístas, tirando o fato de que muitas pouco se importam realmente com o tema, mas pensam no futuro dos filhos, da família, na saúde do próprio bolso. Acredito que a comunicação ideal da sustentabilidade deve unir os dois aspectos.

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