RESÍDUOS: Pesquisa da UFSCar transforma resíduo de cana em argamassa

RESÍDUOS: Pesquisa da UFSCar transforma resíduo de cana em argamassa

Substituir parte da areia utilizada na preparação de argamassa e concreto pela cinza do bagaço de cana é a proposta de uma pesquisa desenvolvida na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). A equipe, coordenada pelo engenheiro civil Almir Sales, professor da UFSCar, mostra que esse resíduo poderá ter um destino ambientalmente adequado e se transformar em um importante insumo na fabricação de argamassa e concreto para a construção civil. Os resultados foram apresentados em um artigo publicado na versão on-line da revista norte-americana Waste Management.
A pesquisa, iniciada há três anos com apoio da Fapesp, mostrou que a substituição de 30% a 50% em massa da areia natural pelas cinzas não apenas preserva as características físicas e mecânicas de um concreto de boa qualidade, mas traz ganhos de resistência. “Nessa faixa de substituição, o concreto feito com cinzas pode ter resistência 20% superior à do concreto convencional”, afirma Sales. Esse tipo de concreto também reduz a necessidade de áreas para destino dos resíduos e, ao mesmo tempo, utilizará menos areia, diminuindo o impacto ambiental sobre os leitos dos rios, de onde a areia é retirada.
Segundo o pesquisador, a caracterização física microscópica mostrou que o resíduo da cana tem um perfil muito próximo ao da areia natural, com uma porção cristalina e alto teor de sílica. Atualmente, as cinzas resultantes da queima da palha da cana são descartadas em aterros ou lançadas em plantações como adubo. Trata-se de um material em sua maior parte inerte e insuficiente para ser usado como adubo”, destaca Sales.  Outro dado surpreendente revelado pelos ensaios foi a presença de grande quantidade de metais pesados, entre eles chumbo e cádmio, nas cinzas analisadas. Com isso, seu emprego na adubação das plantações pode representar risco de contaminação do solo e do lençol freático.
O tratamento para que a cinza do bagaço possa ser utilizada na substituição da areia, de acordo com Sales, é simples e de baixo custo. O próximo passo da pesquisa será a realização de testes de durabilidade do concreto. Nesses ensaios, com prazo previsto de 12 meses, também será verificado se o concreto feito com cinzas possui características adequadas para proteger armaduras – ou seja, se, além de durável, ele pode resguardar o aço empregado nas construções de concreto do processo de corrosão. “Os ensaios preliminares são animadores e a tendência é que a durabilidade possa ser confirmada”, conta Sales.
Mais informações:
Assessoria de Imprensa da Prefeitura de São Carlos
Ex-Libris Comunicação Integrada
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Célia Moreno
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