Balanço | Rio+20

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Em seu pronunciamento sobre o balanço das ações e compromissos assumidos durante a Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável, o secretário geral da Rio+20, Sha Zukang, resumiu em poucas palavras o legado da cúpula: o compromisso voluntário. Para Zukang, o Governo não pode fazer tudo sozinho, e a força do trabalho voluntário será fundamental para que as decisões tomadas durante os últimos dias sejam verdadeiramente implementadas.

O balanço contou com a participação de autoridades, representantes de empresas privadas, bancos de desenvolvimento, instituições de ensino, Nações Unidas, voluntariado, que falaram das conquistas e expectativas para além da Rio+20.

O secretário Zukang ressaltou ainda o número de compromissos assinados durante a conferência por diversos setores da sociedade, como Estados-membros, agentes financeiros, Major Groups, ajudando a “construir a solução”.

“Na Cúpula de 2010, em Copenhague, 20 compromissos foram assinados. Na Rio+20, foram registrados 692 compromissos, e US$ 513 bilhões serão destinados a projetos de desenvolvimento sustentável”, afirmou.

Sha Zukang lembrou ainda que é importante ter um entendimento básico não só nas conversas, mas na implementação das ações. Sobre o acordo, disse que o trabalho árduo começa agora.

O moderador da reunião, Brice Lalonde, coordenador executivo da Rio+20, também lembrou a importância de a cúpula ter chegado ao fim com um acordo fechado.

O representante do Ministério do Meio Ambiente, Fernando Coimbra, destacou a importância da participação da sociedade civil para a construção do futuro.

“Essa mobilização também foi vista nos Diálogos para o Desenvolvimento Sustentável e através desses encontros que buscam um mundo mais sustentável, inclusivo, democrático. É através da participação de todos os setores e, principalmente, das pessoas que poderemos construir o futuro que queremos”, disse Coimbra.

José Maria Figueres, presidente da Carbon War Room, reafirmou a importância do compromisso voluntário ao dizer que 50% das emissões de carbono podem ser reduzidas sem a necessidade de acordos intergovernamentais. Citou como exemplo dois compromissos assumidos pelo Governo de Aruba: acabar com o uso de combustível fóssil até 2020 e investir US$ 1 bilhão em construções com eficiência energética nos próximos 15 anos.

“Essas ações voluntárias podem ainda gerar empregos, movimentar capitais e ser uma forma de combater a pobreza e escapar da crise econômica atual. Temos que ficar atentos porque a janela de oportunidade está se fechando”, acrescentou Figueres.

Fu Chengyu, membro do Global Compact das Nações Unidas e presidente do Sinopec Group, destacou que esta foi a maior conferência já realizada pelas Nações Unidas, com representantes do setor financeiro e do empresariado.

“Participaram dos fóruns 1.500 líderes empresariais de pequeno, médio e grande porte, por exemplo, dos mais diferentes setores e com um objetivo comum: trabalhar com responsabilidade para trazer benefícios para a empresa e o mundo. Eles compreendem que a sustentabilidade corporativa contribui para a sustentabilidade global e anunciaram 200 compromissos empresariais”, disse Fu Chengyu.

Bindu N. Lohani, vice-presidente de Knowledge Management & Sustentable Development do Banco Asiático de Desenvolvimento, revelou que oito bancos de desenvolvimento se comprometeram a estimular o transporte sustentável e 16 bancos vão incentivar projetos de baixa emissão de carbono, num total de US$ 165 milhões para os países em desenvolvimento. “Os incentivos proporcionarão ainda redução dos acidentes de tráfego, de emissão de gás de efeito estufa, entre outros benefícios”, acrescentou.

O prefeito da Cidade do México, Marcelo Ebrard, recordou o encontro realizado entre cidades e governos locais em 2010, no qual foi assinado um acordo sobre metas mensuráveis, com o compromisso de revelar à comunidade internacional, por meio de relatórios anuais, o valor dos investimentos feitos e as ações implementadas com financiamentos locais.

Antonio Freitas, representante da Fundação Getúlio Vargas e presidente do Consejo Latinoamericano de Escuela de Administración, ressaltou a importância da educação para o desenvolvimento sustentável e a manutenção de todos os compromissos da Rio+20.

“A educação para o desenvolvimento sustentável tem que se tornar uma realidade, da escola básica ao ensino superior. Mas são necessárias mudanças de currículos. É preciso ensinar finanças com ética, finanças com meio ambiente, por exemplo. No Brasil, todas as escolas serão obrigadas a ensinar sustentabilidade, e este documento foi assinado na Rio+20. E teremos como comprovar que este compromisso será assumido por todas as escolas porque o ENEM terá questões sobre o tema. Além disso, 10% do PIB brasileiro será investido em educação”, afirmou Freitas.

Helen Clark, administradora do Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas, destacou a importância do trabalho voluntário e lembrou que o PNUD tem escritórios em 130 capitais e programas desenvolvidos em 175 países. “Quanto mais integrados e inovadores, formos melhores resultados teremos”, disse.

Michelle Curling-Ludford, da National UN Volunteer da Jamaica, falou do trabalho com 500 voluntários, que reduziu a erosão e provocou o aumento da produção de alimentos em seu país, e destacou a importância da união para o sucesso desse tipo de ação. “Por favor, unam-se para transformar suas ações”, disse.

Mais informações:

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