Jornalistas debatem parâmetros para elaboração de relatórios de sustentabilidade

Jornalistas debatem parâmetros para elaboração de relatórios de sustentabilidade

Quais os critérios para avaliar práticas de sustentabilidade das empresas? Como distinguir ações responsáveis de green washing? Esses foram apenas alguns dos questionamentos que delinearam a discussão sobre relatórios de sustentabilidade no “Programa GRI para Jornalistas: A Comunicação na Sustentabilidade”. A iniciativa da Aberje – Associação Brasileira de Comunicação em parceria com a Natura reuniu profissionais da imprensa especializados na cobertura de temas relacionados à sustentabilidade nesta terça-feira, 25 de novembro, em São Paulo (SP).
O debate teve como fio condutor os princípios para elaboração de relatórios definidos pelo GRI – Global Reporting Initiative. Lançadas em 1997 e atualizadas em 2006, as diretrizes da organização estabelecem padrões mínimos para a atividade de prestação de contas das empresas que deve integrar aspectos econômicos, ambientais e sociais.
“Uma das lições básicas do jornalismo também vale para a produção de relatórios de sustentabilidade. É imprescindível conhecer seu público para saber como a mensagem vai atingi-lo”, ressalta a bióloga Carmen Weingrill, que apresentou os princípios do GRI aos participantes do curso.
A exposição de Carmen foi seguida pela de Aline de Oliveira, gerente de sustentabilidade da Natura que relatou a experiência da empresa na elaboração do relatório de atividades de acordo com os parâmetros da GRI. Ela também destacou a importância de estabelecer canais de comunicação com os diferentes públicos de interesse da companhia. “A experiência tem nos mostrado que ao dar visibilidade para nossas crenças e práticas, os públicos interessados são os primeiros a perceber qualquer desvio dessa postura e nos procurar para dialogar”, afirma Aline.
Comparabilidade, coesão, clareza, exatidão, equilíbrio e confiabilidade são algumas das características conferidas às publicações com a adoção dos princípios do GRI. No entanto, há também um consenso crescente de que muitos leitores dos relatórios não estão familiarizados com a linguagem utilizada, dificultando que a publicação se torne uma ferramenta de comunicação efetiva entre os diferentes públicos da empresa, como propõe o GRI.
Para discutir esse assunto, a Aberje convidou Andréa Vialli, jornalista do Estado de S. Paulo e Ricardo Voltolini, publisher da Revista Idéia Socioambiental que mediaram debate junto aos demais colegas.
Para Ricardo Voltolini, são três os principais desafios para produção de relatórios de sustentabilidade. “O primeiro deles é a interatividade, como fazer com que os diferentes públicos de interesse participem do processo de elaboração dos relatórios. Além disso, os formatos precisam ser mais amigáveis. Por fim, os relatórios precisam transformar-se em ferramentas de gestão, de modo que ajudem na transição para um modelo de negócios baseado no triple bottom line”, ressalta Voltolini.
Para Andréa essa discussão é importante, particularmente, em um momento de crise financeira. “A discussão de novos mecanismos de mensuração de resultados é urgente. A questão já está na pauta de economistas, entre eles Prêmios – Nobel da Paz como Joseph Stigliz, que estudam alternativas até mesmo à metodologia para cálculo do PIB, o que acabará impactando a gestão das empresas”, ressalta.

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