Itautec – substituição de substâncias tóxicas

Itautec – substituição de substâncias tóxicas

1 – A empresa possui tecnologias sustentáveis? Quais?
A Itautec definiu em 2001 um sistema de gestão ambiental alinhado com os princípios da ISO 14001, com base na qual teve e mantém o sistema certificado. Os princípios, desde então, passaram a nortear os trabalhos de forma gradual, conforme fosse ampliado o entendimento do assunto assim como a sua relação com os negócios. Desta forma, levou-se um tempo razoável para que os produtos passassem a ser desenvolvidos considerando critérios ambientais e seus respectivos impactos no uso e no descarte.
No ano de 2006, após cinco anos de existência do sistema de gestão ambiental, a Itautec investiu R$ 3 milhões num novo processo produtivo para eliminar sustâncias nocivas ao meio ambiente em seus produtos, o que é especialmente importante caso o computador ao ficar obsoleto fosse descartado de forma inadequada. O novo processo está alinhado à Diretiva européia RoHS (* Restriction of Certain Hazardous Substances – Restrição de Certas Substâncias Perigosas) que, na época, era a mais reconhecida no setor. Desde dezembro de 2007, toda a linha de produtos da Itautec é produzida alinhada com a Diretiva RoHS e, apesar do aumento de 2% nos custos de produção, não houve repasse ao preço final do produto. Em dezembro de 2009 apenas 1,5% da produção ainda não havia sido adequada à RoHS, em função de disponibilidade de componentes RoHS para placas especiais e produtos que ainda se encontram em saída de linha.
Além de contar com a tecnologia aderente à RoHS, os produtos Itautec estão em conformidade com a inciativa da Agência ambiental Americana (EPA) que desenvolveu uma forma de avaliação de 51 critérios ambientais que vão além do produto e que consideram as práticas das empresas para classificar o nível de eficiência ambiental. Esse programa denomina-se EPEAT (**) e possui três grandes categorias (Bronze, Silver e Gold). Os produtos Itautec submetidos às regras do EPEAT são em sua maioria Gold, o que demonstra o esforço da empresa em melhorar cada vez mais os seus processos internos.
Como premissa do EPEAT, o equipamento eletroeletrônico deve estar em conformidade com o programa, também da EPA, de uso eficiente de energia denomindao Energy Star (***), que hoje encontra-se na versão 5.0. Para receber o selo Energy Star 5.0, o equipamento deve ter um desempenho muito acima de um produto convencional e um consumo de energia mais eficiente em relação aos produtos comuns.
Expadindo o conceito, as embalagens dos produtos passaram por uma revisão e por consequência tiveram o volume médio reduzido em 54% para os dois modelos utilizados. Isso permitiu a eliminação de todos os componentes não reciclados da embalagem, além de um ganho de armazenamento em todas as fases do processo (materia-prima, produto acabado e expedição). Quando todo o processo foi concluido, houve um ganho no armazenamento da ordem de 66% para um modelo e 133% para o outro modelo de embalagem, promovendo uma redução nos custos do transporte da ordem de 20%.
Outro ponto importante a ser destacado é que a Itautec é a primeira empresa do setor a reciclar os produtos que fabrica no final da vida útil. O método foi desenvolvido internamente já processa 470 toneladas ao ano, pouco em relação ao que se produz, mas o crescimento é exponencial ano a ano. O serviço de reciclagem atende hoje pessoas físicas que fazem contato pelo canal de relacionamento de sustentabilidade e pessoas jurídicas, atendidas pelo canal comercial.
Os processos desenvolvidos serviram de base para auxiliar outras inciativas na área, como o centro de reciclagem de computadores do CCE da USP em São Paulo, e tem sido objeto de estudo de grandes centros e pesquisas internacionais como MIT e Universidades da Alemanha. A Itautec tem colaborado com informações e as disponibiliza para diversos setores interessados.
(*) RoHS
RoHS (Restriction of Certain Hazardous Substances, Restrição de Certas Substâncias Perigosas) é uma diretiva européia que proíbe que certas substâncias perigosas sejam usadas em processos de fabricação de produtos, como o cádmio (Cd), mercúrio (Hg), cromo hexavalente (Cr(VI)), bifenilos polibromados (PBBs), éteres difenil-polibromados (PBDEs) e chumbo (Pb).
Esta diretiva entrou em vigor no dia 1º de Julho de 2006 e a partir desta data nenhum produto usando essas substâncias pode ser vendido na Europa. Junto com o RoHS entrou em vigor uma outra diretiva que trata da reciclagem de produtos eletro-electrónicos, chamada WEEE (Waste from Electrical and Electronic Equipment, Lixo Vindo de Produtos Eletro-Electrónicos).
Por causa do RoHS, fabricantes de equipamentos electrónicos devem adequar seus produtos à nova diretiva de modo a poderem vender seus produtos na Europa.
Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Rohs
Mais informações: www.rohs.gov.uk/
(**) EPEAT
A sigla em inglês para Electronic Product Environmental Assessment Tool (EPEAT- Ferramenta de avaliação ambiental para produtos eletrônicos) que tem por finalidade auxiliar decisores com base em 51 atributos ambientas para computadores pessoais, monitores de vídeo e laptops.
Criado pela Agência de Proteção Ambiental Americana e pela organização não governamental Greener Electronics Council, estabelece três categorias de atendimento aos critérios (Bronze, Silver e Gold), onde para obter classificação bronze é necessário o pleno atendimento de 23 requisitos obrigatórios e para a classificação Gold é necessário atender os 23 itens obrigatórios, e pelo menos 75% dos 28 atributos opcionais.
Os atributos são divididos em oito categorias que abortam a redução/eliminação de materiais tóxicos, seleção de materiais, projeto e gerenciamento do fim de vida útil, longevidade de produto e ciclo de vida, eficiência energética, desempenho ambiental corporativo e embalagem.    .
Fonte: IEEE std 1680 /  http://www.epeat.net/
(***) Energy Star 5.0
ENERGY STAR é um programa conjunto da Agência de Proteção Ambiental EUA, e do Departamento de Energia dos EUA. Em 1992, os EUA Environmental Protection Agency (EPA) e a ENERGY STAR apresentou um programa voluntário de rotulagem destinada a identificar e promover produtos energeticamente eficientes para reduzir as emissões de gases com efeito de estufa. Computadores e monitores foram os primeiros produtos rotulados. Até 1995, a EPA ampliado o rótulo para produtos de escritório e equipamentos adicionais de aquecimento residencial e equipamentos de refrigeração. Em 1996, a EPA, em parceria com o Departamento de Energia dos EUA criou para as categorias de produto em particular. O rótulo ENERGY STAR.
A versão 5.0 entrou em vigor em junho de 2009 e aumenta as exigências de desempenho e eficiência dos produtos que fazem parte do escopo o programa Energy Star, no que se refere ao uso eficiente da energia.
Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Energy_Star
Mais informações: http://www.energystar.gov
2 – Quais os benefícios econômicos, ambientais e sociais alcançados com a implementação dessas soluções   internamente?
Entendo que o maior benefício ocorreu ao longo do tempo com o aperfeiçoamento do sistema de Gestão Ambiental, pois é um processo que permite modificar o comportamento das pessoas envolvidas e no médio e longo prazo os resultados são evidentes.
Programas simples como a coleta seletiva de resíduos, que há seis anos era bem mais difícil de ser implementada, tornou-se rotina e de uma maneira geral as pessoas se habituaram a sujar menos, consumir menos e reciclar mais. Em 2009 o índice de reciclagem atingiu 85% de todo resíduo gerado, sendo que dentro dos 15% estão os resíduos de banheiros e restaurantes. É um processo de melhoria contínua.
Os ganhos econômicos ocorreram em diversas áreas e, como mencionado na primeira pergunta, redução significativa do frete, no caso das embalagens. Para o programa de coleta seletiva há um dado interessante, pois além de desembolsar menos para destinar os resíduos, para a maioria dos materiais há receita, pois ao longo do tempo foi possível desenvolver empresas que utilizam os resíduos como matéria-prima. A boa gestão dos resíduos cobre algo em torno de 72% dos custos do sistema de gestão ambiental, o que é uma evolução importante se pensarmos que, em 2003, a empresa desembolsava 100% dos custos para destinar os resíduos de forma ambientalmente adequada.
O maior ganho tem ocorrido nos últimos dois anos, quando clientes passaram a considerar boas práticas na seleção de fornecedores e, de fato, a boa gestão ambiental passou a ter valor na relação comercial.
Outra forma de observar esse tema é que as leis e normas têm evoluído e as boas práticas passam a ser obrigações. Portanto, ter antecipado as iniciativas reduziu  consideravelmente os riscos para os negócios da empresa.
3 – Quais as apostas da empresa para o mercado de tecnologias sustentáveis no Brasil?
Há um entendimento de que produtos deverão ser cada vez mais eficientes e precisarão considerar aspectos alinhados com os princípios da sustentabilidade para que possam cada vez mais ganhar espaço, principalmente para as novas gerações.
Outro ponto importante é que no segmento corporativo, empresas têm inserido nas suas estratégias os compromissos com a sustentabilidade e num determinado momento reavaliarão seus critérios de aquisição de bens e de serviços.
É provável que ainda demande certo tempo para que isso se consolide, mas já há casos concretos o que sinalizam um período de mudanças.
4 – A empresa compartilha essas soluções com seus stakeholders (clientes, fornecedores e sociedade civil de maneira geral)? Cite exemplos?
Com o objetivo de compartilhar, conforme mencionado na primeira pergunta, todas as informações são disseminadas em fóruns no formato de estudo de caso, reuniões com clientes, contribuição com palestras, universidades, escolas, governo e centros de pesquisa, entre outros. Em 2009 foram 87 oportunidades atendidas em todo o Brasil.
O site da empresa tem sido utilizado como fonte de pesquisa e, além disso, a Itautec tem atendido a todas as demandas do canal de relacionamento que em 2009 passou de 200 solicitações.
A Itautec auxiliou por meio do conhecimento técnico do processo de reciclagem de eletroeletrônico a USP a desenvolver o Centro de reciclagem do CCE no campus da USP. Também houve uma contribuição recíproca por parte do CCE que também auxiliou para melhorar o processo atual da Itautec. O processo da Itautec é objeto de estudo de universidade no Brasil, Europa e Estados Unidos, o que muito nos orgulha em contribuir para que o mercado de reciclagem se fortaleça e se profissionalize cada vez mais.
5 – A empresa trabalha com open innovation para desenvolvimento de soluções que visem a sustentabilidade? Cite exemplos?
A Itautec utiliza muito o conceito de open innovation no geral, haja vista que são licenciados inúmeros módulos de tecnologia de terceiros (ex.: Dispensador, módulos depositários, cabeças de impressão, etc.). Procura-se sempre, dentro do conceito de sustentabilidade, encontrar nestas tecnologias externas elementos que melhorem ou criem em nossos produtos fatores que levem à redução de energia, uso inovador de componentes “verdes” e redução de uso de materiais consumíveis.
Cabe destacar algumas parcerias com a Universidade Federal de Pernambuco, Unicamp, Universidade Católica de Pernambuco, Instituto Venturus e FacTi Ribeião Preto.
6 – Qual a ordem de investimentos destinados ao desenvolvimento de tecnologias sustentáveis?
Em 2008 foram feitos investimentos da ordem de R$ 980 mil em programas ambientais e R$ 63 milhões em P&D. Os números referentes ao período de 2009 devem ser divulgados no primeiro trimestre deste ano.

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