
Na opinião do especialista já existe no Brasil uma cultura corporativa muito forte por responsabilidade social. Ele também reforça que podemos esperar o contínuo crescimento da filantropia e do investimento social privado tanto no Brasil quanto no mundo.
Confira essas e outras ideias a seguir:
Ideia Socioambiental: Como o desenvolvimento comunitário pode ser estratégico para uma empresa? E como o ISP pode impactar de maneira positiva a realidade das comunidades para as quais se volta?
Jeff Bell: Estrategicamente, atividades de desenvolvimento comunitário podem ser uma
maneira especialmente poderosa para estimular a visibilidade de uma empresa
em determinada comunidade. Nesse sentido, acredito que atividades que visam
o desenvolvimento comunitário são um dos veículos mais importantes e um dos
melhores caminhos para uma empresa estabelecer boas relações públicas e criar uma boa reputação – o ponto central, obviamente, é gerar novas receitas para a empresa. No entanto, penso também que as empresas querem ser boas corporações para os cidadãos e vizinhos das comunidades em que operam, de onde podem vir também muitos dos seus colaboradores. Quanto à segunda parte da questão, acredito que comunidades que estão procurando estabelecer parcerias para trabalhar com o setor privado, que têm disponibilizado para essas novas fontes ou fundos de financiamento para a resolução de problemas importantes em suas comunidades. O mais importante aqui é a voluntariedade das comunidades em agir como parceiros, não apenas como receptores, a fim de auxiliar o direcionamento das discussões que determinarão exatamente onde os projetos e investimentos do setor privado devem estar.
I.S: Qual é o papel da filantropia e do investimento social privado no desenvolvimento
dos países?
J.B: A filantropia e o investimento social privado estão desempenhando atualmente
um papel crescentemente importante no desenvolvimento dos países. Uma análise completa realizada pela USAID’s Global Development Alliance (GDA) mostrou o crescimento de 30% do capital privado nos anos 1960 para 80% em 2005. Mesmo que o financiamento público de desenvolvimento, a força motriz do mercado internacional, tenha diminuído em proporção, o que representa menos de 17% em 2005, o valor total da ajuda ao desenvolvimento aumentou.
I.S: A evolução do investimento social privado está relacionada ao nível de desenvolvimento de um país?
J.B: Em parte sim. Quando o potencial econômico de um país aumenta, as empresas vêem um número crescente de potenciais consumidores para seus produtos e serviços. Sendo assim, o investimento social privado faz sentido, estrategicamente, como forma de gerar uma boa reputação, nome e reconhecimento, ou qualquer outro tipo de propaganda e de publicidade que eles sentem que seria benéfico para eles no mercado. Acredito também que um crescente número de empresas está reconhecendo a existência de uma responsabilidade moral para investir em projetos sociais nas áreas em que atuam. Esse reconhecimento pode surgir de variadas formas: pode vir do presidente ou CEO, dos empregados da companhia ou resultar da pressão dos acionistas. A pressão para que as companhias sejam mais socialmente responsáveis para com as comunidades onde atuam está começando a crescer. Pode muito bem ser que ao fazê-lo, elas estejam ajudando seu ponto de partida, mas acredito que os cálculos de custo/ benefício em agir com responsabilidade está se tornando menos importante do que a pressão / desejo de um comportamento responsável e generoso.
I.S: Que desafios os BRICs enfrentarão para desenvolver o investimento social privado?
J.B: Quando falamos nos países BRIC, temos de reconhecer que cada um possui suas
características individuais, experimentando assim seus próprios desafios. O que pode ser um desafio para a Índia, por exemplo, pode não ser para o Brasil. E em se tratando de Brasil, existe uma cultura corporativa muito forte em responsabilidade social.
I.S: Em sua opinião, o que caracteriza o investimento social ou filantropia praticado por um país?
J.B: A grau de investimento social praticado por um país depende de inúmeros fatores, sendo um dos mais importantes a estrutura tributária que legisla o investimento social privado. Além disso, há uma série de outros fatores: Por exemplo, eu acho que tem que haver uma massa crítica de organizações operando e competindo em qualquer país. Se partirmos da suposição de que, estrategicamente, o investimento social é realmente um investimento em relações públicas, quando os consumidores têm pouca escolha entre produtos ou serviços em um país, não faz muito sentido para uma empresa olhar para o investimento social como uma forma de angariar boas relações públicas. Sem concorrência, as relações públicas tornam-se muito menos importantes e os investimentos sociais menos atraentes. Além disso, seguindo a lógica acima, acho que as atividades derivadas do investimento social em muitos casos são repetitivas. Uma vez que uma empresa decide aplicar um investimento social, a melhor coisa que os outros podem fazer é o mesmo. Então países com altos níveis de investimento social privado provavelmente manterá níveis elevados.
I.S: Quais as principais tendências para o Brasil e para o mundo nos setores de
filantropia e ISP?
J.B: Se os últimos 30 anos podem servir de indicação, podemos esperar pelo contínuo
crescimento da filantropia e do ISP tanto no Brasil quanto no mundo. Organizações doadoras reconhecem o crescimento dos fundos privados e estão cada vez mais a procura de alavancar suas verbas. Investidores privados ou filantrópicos não apenas reconhecem os benéficios de associar seus nomes a grandes doadores, mas enxergam no desenvolvimento das organizações um aprimoramento na maneira de investir em projetos. Assim, acho que veremos cada vez mais os doadores procurarem parcerias com o setor privado e o setor privado procurando aumentar a sua visibilidade por meio de parcerias com os doadores. Como resultado, acho que podemos esperar para ver a importância do investimento social privado filantrópico aumentar em todo o mundo.
Box:
Elementos que orientam a decisão de investimento em projetos socioambientais pela USAID
Propriedade – a USAID baseia-se na liderança, participação e comprometimento de um país e sua população;
Capacitação – buscamos fortalecer as instituições locais, a transferência de competências técnicas, e a promoção de políticas adequadas;
Sustentabilidade – produzimos programas para garantir que seus impactos sejam duradouros;
Seletividade – alocamos nossos recursos baseados na necessidade, comprometimento local, e interesses em política externa;
Avaliação – conduzimos cuidadosamente nossas pesquisas, adaptamos as melhores práticas, e desenvolvemos nossos programas em função das condições locais;
Resultados – direcionamos nossos recursos para alcançar objetivos bem definidos, mensuráveis e estratégicos;
Parcerias – pretendemos colaborar de perto com governos, comunidades, outros doadores, ONG’s, setor privado, organizações internacionais e universidades;
Flexibilidade – ajustamos nossos programas de acordo com as mudanças que ocorrem, a fim de gerar novas oportunidades e maximizar a eficiência;
Responsabilidade – sistemas para garantir responsabilidade e transparência, incluindo controles rígidos contra corrupção são utilizados em nosso programa.







