Fotógrafa desenvolve publicação sobre ocupação territorial responsável

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Ocupação territorial responsável: esse é o tema do novo trabalho da fotógrafa Renata Castello Branco, após projetos como Paraisópolis – Uma cidade dentro da Outra (2012) e Heliópolis (2009). Já com aprovação pela Lei Rouanet, ela agora busca apoiadores para a ideia de desenvolver um livro com os materiais.

Renata vem produzindo um Diário Multimídia nas Comunidades da Serra do Mar. No blog (disponível em: http://goo.gl/qtyf1K), compartilha fotos e breves relatos sobre paisagens e personagens. “Mas isso é pouco diante da riqueza do material humano e social que venho encontrando lá”, afirma a fotógrafa. Por isso a ideia de conseguir apoio de empresas para financiar a publicação de um livro.

“Afinal, planejamento de intervenção local, ocupação socioambiental e desenvolvimento territorial são, hoje, vitais para empresas que, de fato, pretendem ser sustentáveis”, explica Renata. Na região da Serra do Mar, três comunidades encravadas na Mata Atlântica atraem a atenção da fotógrafa.

Chamadas de Cota 95, 200 e 400 (de acordo com a altura em que estão em relação ao nível do mar), formaram-se a partir do final da década de 1930, quando o Departamento de Estradas e Rodagem montou três acampamentos de trabalhadores para a construção da rodovia Anchieta. Trazidos principalmente de Minas e Nordeste, nunca contaram com um planejamento de retorno a suas origens ou de realocação a novas oportunidades dignas de trabalho e de vida. Assim, foram absorvidos (bem como as gerações seguintes) improvisadamente pelas indústrias de Cubatão.

“Naquela época, ainda se pensava o progresso como crescimento em vez de desenvolvimento. As empresas e o Estado tinham uma visão histórica apenas econômica e materialista, imediatista, irresponsável. Não havia preocupação socioambiental, nem o respeito pela dimensão humana e seu futuro”, critica a fotógrafa.

Em seu novo trabalho, Renata busca gerar uma reflexão acerca do legado que operações irresponsáveis deixaram às comunidades da Serra, além de reforçar a importância de planos de territorialidade, que propiciem uma ocupação digna e um crescimento sustentável para as comunidades.

A primeira visita ao local aconteceu em junho de 2013, quando, para sua surpresa, encontrou comunidades em franca transformação sob todos os sentidos – seja porque têm passado por um processo involuntário de reurbanização, seja porque estão sendo transferidas para centros residenciais em Cubatão e/ou por se encontrarem em áreas de risco. “Consequentemente, criaram-se verdadeiras cidades-fantasma”, conta Renata.

Entre outras questões, Diário Fotográfico das Comunidades da Serra do Mar busca responder: Por quê e para onde as pessoas são transferidas e quais as implicações em suas vidas? Quais são as transformações pessoais? Como a mudança se reflete na cultura e na sociedade em que vivem e que reconstroem?

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