A liderança que queremos
Por Cláudia Piche

Voltolini faria, ainda, o aquecimento online com os participantes virtuais. Porém, o fechamento do Aeroporto Santos Dumont, devido às más condições meteorológicas, impediu que ele estivesse presente à abertura do evento. Nada que diminuísse, no entanto, o interesse dos internautas, que enviaram centenas de perguntas ao físico austríaco, um dos mais conceituados pensadores mundiais da sustentabilidade (leia aqui entrevista concedida com exclusividade à revista Ideia Sustentável, em 2009).
Ao longo de mais de 25 anos dedicados ao tema, Capra tem centrado sua reflexão em três grandes eixos: o pensamento sistêmico, a alfabetização ecológica e o crescimento qualitativo – aquele que, em suas palavras, “distingue o crescimento bom do crescimento ruim”.
Durante cerca de 45 minutos – num ‘primeiro tempo’ -, foi justamente nessa distinção que Capra focou sua exposição. Para ele, o crescimento medido apenas pelo PIB dos países reflete uma economia patológica e obstrutiva, pois não considera, na produção de seus bens e serviços, os resíduos e o desperdício de materiais e energia inerentes a seus atuais processos. “O primeiro passo para sairmos disso é reconhecer a falácia do atual crescimento econômico”, alertou. “Precisamos de uma economia de regeneração, que inclua sofisticação, maturidade e crescimento humano – uma nova ciência da qualidade, com propriedades sistêmicas” (clique aqui para assistir a íntegra da palestra).
Energias renováveis, emissões zero de gases de efeito estufa, reciclagem contínua e reestruturação dos ecossistemas do planeta estão entre as propostas de Capra para o crescimento qualitativo – sem ignorar, ainda, “a valorização das relações humanas, a beleza e a qualidade de vida das pessoas, que é justamente no que todos pensam quando se fala de Brasil”.
Para Capra, afinal, o Brasil está mesmo ‘bem na fita’. “Acredito que há uma institucionalização, uma conscientização da sociedade civil, dos negócios e dos governos que têm ajudado este país a conquistar uma perspectiva sistêmica de engajamento ecológico. Além disso, vocês possuem uma criatividade tremenda! Enfim, todas as condições para assumir a liderança do crescimento qualitativo e da sustentabilidade mundial.” Que assim seja, mestre Capra!
Do amor às lideranças
Mas foi no ‘segundo tempo’ – com respostas à plateia e aos internautas – que Capra encantou. As perguntas – intermediadas pelo consultor Oscar Motumura, também palestrante do encontro, e por Ricardo Voltolini – abordaram desde temas como a busca da felicidades pelos relacionamentos comunitários até o papel do amor na sustentabilidade.
Numa de suas reflexões mais brilhantes, porém, Capra falou sobre o papel da liderança para a transformação rumo a um mundo mais sustentável. Segundo o pensador, existem duas formas de se exercer o poder – e, portanto, a liderança: a de dominação, que se dá por meio da hierarquia e “que representa a tradução de grande parte do poder praticado atualmente”; e o “poder de empoderar os outros”, aquele conquistado a partir de uma rede, da conexão de pessoas por meio de ideias e valores.

Leia também artigo de Ricardo Voltolini sobre Fritjof Capra
Clique aqui e acompanhe o vídeo do evento.








