
Muitos delegados se disseram frustrados pelas baixas e, de qualquer forma, reduzidas ambições. Os temas mais prejudicados são aqueles relativos aos projetos de mitigação, como a diminuição da produção de CO2 em nível mundial ou a preservação das florestas. Um delegado nos confessou: “Deveríamos ir mais longe e de forma mais rápida, mas a impressão é de que estamos andando para trás”.
Ao mesmo tempo, na cidade, a pressão se eleva. No sábado, uma manifestação de mil e duzentos jovens percorreu as ruas de Varsóvia em favor de uma mudança nas políticas ambientais. “We want system change, not climate change”, era o slogan. Já hoje, 18 de novembro, fora do Ministério da Economia polaco, desde as primeiras horas da manhã se reuniram muitos jovens para um protesto pacífico. Dentro do prédio acontece a International Coal & Climate Summit, que reúne todos os maiores produtores de carbono do mundo. O objetivo deste encontro foi unir os vários produtores para enfrentar os desafios impostos ao setor pelas mudanças climáticas. Em outras palavras, criar ações de lobbying e advocacy coordenadas, para permitir às empresas que continuem a trabalhar e ganhar lucros astronômicos sem entraves políticos ou burocráticos.
O governo polaco deu forte apoio a esta conferência. A delegação anfitriã, justamente por isso, se encontra no fogo cruzado entre sociedade civil e União Europeia, que demonstra grande irritação diante da resistência polonesa na busca de um acordo mais ambicioso. Agora veremos se essas pressões nos levarão a uma mudança de rota.
No interior do estádio nacional, onde acontecem as negociações oficiais, as nuvens cinza não parecem se dissipar. A Austrália do novo premier Tony Abbot continua a liderar a intransigente oposição a todo tipo de compromisso financeiro com os países menos desenvolvidos. Outras notícias, certamente não cor-de-rosa, vêm do Brasil, que parecia ser, na realidade, uma das delegações mais dispostas a trabalhar em busca de um acordo. Segundo dados de satélite, o desmatamento na Amazônia aumentou em 28% no período de apenas um ano. O dado é muito alarmante, porque as ambições de mitigação do clima partem também da conservação das áreas que mais absorvem o gás carbônico emitido. A chefe da delegação brasileira informou que, assim que voltar ao país, estudará a possibilidade de combater esta situação, em um trabalho coordenado com as comunidades locais.
Enquanto isso, na plenária desta manhã, foi apresentado o rascunho escrito para a Durban Platform. Trata-se do texto base sobre o qual de desenvolverão as negociações políticas nesta segunda semana.
Não podemos dizer, certamente, que a semana que passou foi brilhante em notícias positivas, ainda se, como recordam muitos delegados, “isso que vimos foi apenas o aquecimento; a verdadeira partida se jogará agora.”
Acompanhe, aqui, a cobertura jornalística realizada pelos jovens brasileiros:







