CDP divulga relatório mundial sobre mudanças climáticas

CDP divulga relatório mundial sobre mudanças climáticas

Segundo o relatório de mudanças climáticas CDP Global 500 Climate Change Report 2013, lançado hoje, cinquenta das 500 maiores companhias listadas em bolsas de valores no mundo são responsáveis por quase três quartos das 3,6 bilhões de toneladas métricas de emissões de gases de efeito estufa do grupo. O carbono emitido por essas 50 maiores emissoras – que primariamente operam nos setores de energia, materiais e utilitários – aumentou 1,65%, para 2,54 bilhões de toneladas métricas nos últimos quatro anos.

Esse aumento é equivalente a adicionar mais de 8,5 milhões de caminhões nas ruas ou a fornecer eletricidade para 6 milhões de casas por um ano. O relatório é coescrito pelo CDP, anteriormente Carbon Disclosure Project, e pela empresa de serviços profissionais PwC, e fornece uma das principais avaliações mundiais sobre o comportamento corporativo frente à mudança climática. A análise é baseada nos dados climáticos e energéticos de 389[2] companhias listadas no FTSE Global 500 Equity Index, coletadas pelo CDP a pedido de 722 investidores institucionais, que representam juntos US$ 87 trilhões em capital investido. Trata-se de um número recorde de investidores utilizando-se do CDP para compreender o desempenho ambiental corporativo, levando em consideração que o dióxido de carbono passou a marca de 400 partes por milhão na atmosfera e que o mundo se prepara para o quinto relatório Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC), que deve fortalecer os argumentos científicos no combate da mudança climática.

Apesar destes sinais globais, um momento de inadequação na mitigação dos efeitos das mudanças climáticas também uma realidade para as maiores emissoras encontradas em cada um dos dez setores analisados no relatório. Intitulada Insights do setor: o que está guiando o combate à mudança climática nas maiores companhias do mundo, a nova edição inclui análises específicas de cada mercado que mostram que as cinco empresas mais altamente emissoras de cada setor aumentaram suas emissões em aproximadamente 2,3% desde 2009.

Para Paul Simpson, chefe executivo do CDP, ONG internacional que atua junto a investidores e empresas de todo o mundo para prevenir as mudanças climáticas e proteger os recursos naturais, “muitos países estão demonstrando sinais de recuperação após a crise econômica global. No entanto, evidências científicas claras e eventos climáticos cada vez mais graves mandam avisos fortes de que devemos buscar caminhos para a prosperidade econômica ao passo que reduzimos a emissão de gases de efeito estufa. É imperativo que grandes emissoras aumentem seu desempenho nesse sentido e que governos providenciem mais incentivos para isto acontecer. O mundo corporativo é um agregador tanto de riscos quanto de oportunidades deste desafio. Assim, este relatório é escrito para empresas, investidores e políticos que querem uma compreensão clara de como as maiores companhias do mundo listadas podem se transformar para protegerem nosso capital natural”.

Enquanto as maiores emissoras apresentam maior oportunidade para mudanças em grande escala, o relatório identifica oportunidades para todas as empresas da lista Global 500 ajudarem a suavizar mudanças climáticas e políticas por meio da redução significante da quantidade de dióxido de carbono que produzem todo ano. Por exemplo, as emissões de quase metade (47%) da maior parte das atividades mais intensas de carbono que as companhias identificam através de suas correntes de valores ainda serão medidas. A falta de relatórios detalhados e informação sobre os gases de efeito estufa de fontes relacionadas a atividades das companhias (emissões de escopo 3), em oposição a fontes pertencentes ou diretamente controladas por elas, pode levar as empresas a subestimar seu impacto total de carbono.

Por exemplo, dois terços (72%) das emissões da lista Global 500 são associadas com viagens de negócios, mas isso equivale a apenas 0,2% das amostras reportadas para as emissões de escopo 3. Quase todas as instituições financeiras estão administrando suas emissões de viagem, mas menos de um décimo (6%) reportam as emissões associadas com seus investimentos, o setor primário das emissões de escopo 3.

Malcom Preston, líder global da PwC para sustentabilidade e mudanças climáticas afirma: “O relatório destaca como clientes, fornecedores, empregados, governos e a sociedade em geral estão se tornando mais exigentes em relação aos negócios. Isso levanta questões para algumas organizações: eles estão focados em sustentar o crescimento a longo prazo ou estão simplesmente fazendo o bastante para recuperar o crescimento até que a próxima crise surja? Com o relatório inicial do IPCC previsto para sair em apenas algumas semanas, as emissões corporativas continuam a crescer. Ou o combate corporativo cresce ou o risco de regulamento os alcançará”.

As empresas que demonstraram maior comprometimento em gerenciar seus impactos no meio-ambiente têm obtido melhores resultados financeiros e ambientais. A análise de companhias que lideram o progresso climático, como explica a metodologia do CDP e inclui empresas como BMW, Nestlé e Cisco Systems, sugere que elas obtêm performances melhores nas bolsas (Vide Nota ao Editor). Além disso, os negócios que oferecem aos funcionários incentivos relacionados ao consumo de energia e ás emissões de carbono são 18% mais bem-sucedidos em alcançar metas de redução.

Dois índices de liderança para a lista Global 500 foram lançados hoje com o relatório. O Climate Performance Leadership Index (CPLI ou, em português, Índice de Liderança em Performance Climática) aponta as companhias que estão implementando uma estratégia de clima robusta e obtendo reduções de emissões. Já o Climate Disclosure Leadership Index (CDLI, ou, em português, Índice de Liderança de Reporte Climático) identifica companhias que são mais transparentes do ponto de vista climático. O índice compreende as companhias que pontuaram dentro as 10% com mais qualidade nas informações reportadas. Como a compreensão corporativa para a necessidade de contabilizar os impactos climáticos tem se desenvolvido, a pontuação mínima para alcançar uma posição no CDLI cresceu consistentemente e ficou em 97%. Ambos os índices são usados por investidores para informar suas decisões de investimento relacionadas a riscos climáticos e oportunidades.

Alemanha, Suíça e Reino Unido estão bastante representados no CPLI ao se analisar a composição geográfica do Global 500. Apesar das companhias europeias serem mais propensas a compor o ranking do que as dos Estados Unidos, o número de empresas norte-americanas que alcançaram uma posição em comparação a 2012 quase dobrou. Países como Índia, África do Sul, Coréia do Sul e Suécia são novas no índice.

O Brasil também garantiu seu lugar no CDLI. A Vale ficou novamente entre as companhias líderes em transparência no reporte climático em todo mundo, garantindo uma posição no ranking.

O CDP Global 500 Climate Change Report 2013 está disponível para download gratuito e será lançado hoje durante a conferência transmitida online ao vivo Global Climate Forum. As respostas públicas ao CDP sobre mudanças climáticas das empresas da lista Global 500 também estão disponíveis no site da organização. Mais de 4500 negócios em mercados em todo o mundo reportaram através do CDP este ano. Suas infromações serão disseminadas a investidores através de vários canais, como os terminais Bloomberg, de onde são baixados em média 1 milhão de vezes a cada seis semanas.

Top 12 empresas tanto de acordo com CPLI quanto com CDLI
Setor Empresa Performance Disclosure # anos no CPLI
Consumer Discretionary BMW A 100 4
Consumer Discretionary Daimler A 100 1
Consumer Discretionary Philips Electronics A 100 1
Consumer Staples Nestlé A 100 2
Financials BNY Mellon A 100 1
Information Technology Cisco Systems A 100 1
Utilities Gas Natural SDG A 100 2
Consumer Discretionary Honda Motor A 99 1
Consumer Discretionary Nissan Motor A 99 1
Consumer Discretionary Volkswagen A 99 1
Information Technology Hewlett-Packard A 99 1
Information Technology Samsung A 99 1

Retorno financeiro de líderes climáticos frente à população total da Global 500:

O eixo X é a porcentagem de retornos totais. Retorno financeiro total inclui juros, ganhos de capital, dividendos e distribuições realizados ao longo de um determinado período de tempo. Fontes: Bloomberg e CDP. Nota: Os resultados apresentados não devem e não podem ser vistos como um indicador de desempenho futuro, ou um conselho de investimento. Os desempenhos CDLI e CPLI das empresas são calculados usando pesos derivados, em uma base igualmente ponderada em relação ao FTSE Global Equity Index Series e reequilibrado no primeiro dia útil de outubro de cada ano. Portanto, as CDLI & CPLI 2013 não estão incluídas nesta análise. Para esta análise, ponderamos as empresas com base no preço da ação no primeiro dia útil de outubro de cada ano.

Sobre o CDP

O CDP é uma organização internacional sem fins lucrativos que provê um sistema global único para que as empresas e cidades meçam, divulguem, gerenciem e compartilhem informações vitais sobre o meio ambiente. O CDP trabalha com as forças do mercado, incluindo 722 investidores institucionais com ativos na ordem de US$ 87 trilhões para motivar as companhias a divulgarem seus impactos no meio-ambiente e aos recursos naturais, assim como suas ações para reduzi-los. Atualmente, o CDP possui o maior volume de informações sobre mudanças climáticas e água do planeta e procura colocar estes insights na pauta das decisões estratégicas, dos investidores e das decisões políticas. Para mais informações, visite http://www.cdproject.net.

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