A pirataria verde e os verdadeiros líderes
Por Marilena Lino Almeida Lavorato

Trata-se de um avanço, sem dúvida. Mas é na regulamentação que surgem os empecilhos mais difíceis à aplicação da lei. Nesse estágio, aparecem os verdadeiros protagonistas do mundo novo, sustentável, e é também aí que aparecem os oportunistas de plantão, prontos a tirar proveito da situação. São as falsas lideranças, os piratas do greenwashing.
Com a nova lei, governantes terão de se comprometer com a coleta seletiva e a construção de aterros, ainda que isso não renda votos. Fabricantes terão de provar que são, de fato, detentores de boas práticas e inovadores a ponto de redesenhar produtos e processo que possam reinserir os resíduos na cadeia produtiva. É hora de conhecer as empresas cidadãs e conferir até que ponto os investimentos na sustentabilidade não são apenas gastos em publicidade!
É agora que começam a despontar as autênticas lideranças, aqueles cuja voz será ouvida em fóruns como os comitês de bacias hidrográficas, as câmaras ambientais, as comissões como a que debate o novo código florestal ou a conferência internacional que trata das mudanças do clima.
Vejo também significativa a contribuição de organismos independentes como o nosso, o Instituto Mais (organização não-governamental sem fins lucrativos, cuja missão é construir uma nova cultura pró-sustentabilidade), que articula pessoas físicas ou jurídicas que fogem do lugar comum quando pensam e praticam sustentabilidade. Lidam bem com o pensamento complexo e a pluralidade. São inovadoras por excelência, éticas e interativas por opção. É uma combinação de competências com resultados efetivos na prática.
Essas lideranças, legítimas e genuínas, provam que é possível conciliar desenvolvimento econômico com harmonia social e ambiental. São pessoas com autoridade suficiente para contrapor as falácias do greenwashing e para compartilhar e interagir com a massa crítica sem alardes, mas com a racionalidade e coerência esperada de um legítimo líder. Sabem que o mercado e sociedade esperam, cobram e premiam aqueles que tomam para si a tarefa de inovar e construir, preferencialmente, juntos e com transparência.
Sim. Mercado e Sociedade são ávidos por inovações tecnológicas ou gerenciais que melhorem o desempenho socioambiental das atividades humanas e a qualidade de vida dos consumidores. Seja pela força da lei, seja pela atitude espontânea de quem já incorporou a cultura e seus valores, a certeza que se tem é que a Era da Sustentabilidade (a exemplo das já vividas anteriormente pela humanidade – Iluminismo, Pós-Modernismo, etc.) chega com força, mudando o modo de vida da sociedade. Os cidadãos deste século se deparam com os desafios da escassez dos recursos naturais e das mudanças do clima, impondo um novo modus operandi que não permite manipulações ou maquiagens, porque não temos outra saída e nem tempo a perder.
A nova onda da sustentabilidade se impõe com a força dos fenômenos naturais, levando de roldão os despreparados e céticos. Assim como a máquina a vapor, a lâmpada elétrica ou o computador, esse tipo de onda, benigna, que vez por outra sacode a Terra, vem empurrar a humanidade uma vez mais para frente. A esta onda, em outras palavras, chamamos Evolução.
Marilena Lino Almeida Lavorato é especialista em Gestão Socioambiental e presidente do Comitê de Sustentabilidade do Instituto Mais.







