
O estudo aponta que os padrões em vigor são preocupantes no que se referem às emissões de dióxido de enxofre (SO2) e do dióxido de nitrogênio (NO2), além de considerarem apenas o material particulado menos fino, o de 10 micra (milésimo de milímetro) e não o de 2,5, mais nocivo à saúde.
“Atualmente, sabe-se, por exemplo, que de acordo com a quantidade de concentração dessas poeiras finas, de diversas origens, na atmosfera, o risco de mortalidade na população pode aumentar de 5% a 15%”, esclarece a advogada do Instituto, Kamyla Borges da Cunha.
Padrões
Os padrões de qualidade do ar definem os níveis máximos de gases e partículas na atmosfera que são toleráveis à saúde e ao meio ambiente. Quando são bem monitorados, fornecem informações preciosas para a atuação dos órgãos públicos, já que permitem um mapeamento dos poluentes que ultrapassaram os níveis aceitáveis, das regiões onde a situação é mais crítica, entre outras informações.
“O IEMA já levou o estudo ao conhecimento dos conselheiros do Conama e da área de qualidade do ar do Ministério do Meio Ambiente. E propõe o início das discussões em torno do tema”, diz Ademilson Zamboni, coordenador da área de Relações Institucionais e um dos integrantes da equipe do estudo.
O estudo do IEMA tem um capítulo dedicado ao entendimento dos indicadores da Organização Mundial da Saúde, sua finalidade e processo de elaboração. Outro, no qual apresenta as experiências dos Estados Unidos e da União Europeia, e, por fim,a análise da situação brasileira, com tabelas e gráficos comparativos sobre os padrões de qualidade de ar.
Recomendações
Além da recomendação da revisão para os valores máximos definidos para o SO2 e NO2 e definição de valores máximos de concentração para o material particulado fino 2,5 (MP 2,5) o IEMA também reforça a importâncias das seguintes ações:
– Que a revisão e a definição dos padrões tenham fundamentação científica consistente;
– A participação de órgãos e institutos de saúde no processo de definição e revisão dos padrões de qualidade do ar;
– Uso de ferramentas que viabilizem a participação pública, como consultas públicas, workshops, criação de grupos para elaborar propostas;
– Medidas reais de acompanhamento e de monitoramento da qualidade do ar;
– Informações transparentes à população sobre a qualidade do ar, de maneira que possa acompanhar as medidas de gestão adotadas;
– Os padrões de qualidade acompanhados e monitorados de maneira a servirem de referência para a estruturação de programas e ações de controle de fontes de poluição de todos os tipos.
A íntegra do estudo está disponível no site: www.energiaeambiente.org.br.
Sobre o IEMA
O Instituto de Energia e Meio Ambiente é uma organização da sociedade civil de interesse público –OSCIP- que tem como objetivo apoiar a elaboração e implementação de políticas públicas relativas ao meio ambiente. Sua atuação é baseada na produção e disponibilização de informações para a população, comunidade técnica e gestores públicos, por meio da realização de pesquisas, estudos sobre os instrumentos de gestão e da legislação a respeito da qualidade do ar e das mudanças climáticas globais.
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