
Desde 2007, o projeto Lugar de Palavra, patrocinado pela Petrobras, proporcionou atendimento a 740 crianças, adolescentes e agressores em situações de violência doméstica e de risco social. Cerca de 600 familiares e profissionais estiveram envolvidos nos casos de atendimento e acompanhamento e mais de 1000 profissionais da rede pública da educação, saúde, assistência social, justiça e conselhos tutelares participaram de reuniões e palestras de capacitação.
“Acreditamos que a violência começa quando a palavra perde o valor. Nesse sentido é importante dar lugar a palavra não apenas de crianças e adolescentes, mas também de autores de agressão. Em uma situação de violência doméstica, na maioria das vezes o agressor é alguém que tem uma relação com a criança ou com o adolescente. E diferente do que se imagina, ele pode precisar e querer ajuda, afirma Paula Mancini, co-autora do livro, coordenadora do projeto Lugar de Palavra e doutora em Psicologia Clínica.
O vídeo traz depoimentos de autoridades no assunto, como o cientista político Luiz Eduardo Soares que destaca a vontade de ver o trabalho realizado pelo Núcleo de Atenção à Violência como política pública. “Eu tenho procurado divulgar o trabalho, esperando que ele possa ter mais escala e se converter em política pública. Isso seria o sonho para que nós pudéssemos de fato lidar com cada indivíduo envolvido no processo da violência”, explica Soares.
Um depoimento do cientista no livro A escuta que escreve história ilustra bem essa necessidade de uma nova chance aos envolvidos nesse tipo de violência: “Debaixo da mão que aponta uma arma, há também uma mão estendida que busca uma conexão. Isso é um paradoxo, mas um paradoxo que o NAV é capaz de desvendar, de compreender. Quando a arma é usada e a violência é a única forma pela qual alguém pode buscar o seu valor, afirmar a sua existência, a sua visibilidade, é porque falta a palavra, falta o afeto, falta o reconhecimento da humanidade daquele que se sente desvalorizado. Se alguém se sente invisível é porque não consegue comunicar-se, sentir-se visto, ouvido, escutado, não consegue vibrar com a experiência fundamental da palavra que é a de troca, a da linguagem. Dar escuta, oferecer a possibilidade desse contato humano, é reconstituir o laço sem o qual o sujeito não pode se afirmar. Quem elabora com a linguagem, não precisa da violência e da arma”.
A publicação traz ainda estatísticas e aponta também resultados alcançados. No acompanhamento dos casos verificou-se, por exemplo, que um espaço de tratamento onde cada um pode falar e se escutar é o que permite a cada uma das partes envolvidas na violência reconstruir suas relações, escrevendo uma nova história. Profissionais da área interessados em adquirir o material devem encaminhar pedido para o e-mail nav@nav.org.br







