
Autor de dois livros – O Verde que Vale Ouro e Green Recovery (ainda sem tradução no Brasil) – Winston ressaltou a necessidade de maior engajamento corporativo no combate à redução das emissões de carbono, bem como de encarar os desafios dos novos tempos, começando pela mudança de cultura e comportamento das organizações e seus stakeholders.
Bem-humorado e otimista, Winston defende que as lideranças empresariais precisam ser “hereges”, no sentido de questionar novas possibilidades de produtos e serviços que demandem menos gasto e menor impacto. “O líder tem de ser criativo e fazer perguntas como: ‘Será que é possível utilizar um pedaço de papel higiênico por mais de 30 vezes?’. Por mais absurdo que isso possa parecer, o CEO – ou mesmo o presidente – precisa estimular esse tipo de questionamento na busca por melhores práticas e redução de custos”, diz o consultor.
Para Winston, outra grande tendência em sustentabilidade corporativa é o incentivo à criação do Chief Sustainability Officer (CSO), cargo que tem como missão o desenvolvimento de estratégias e políticas mais sustentáveis. Apesar de tratar-se de uma função ainda com pouca visibilidade no mercado global, ela exige um conhecimento apurado dos setores e processos da empresa, por isso deve-se escolher os candidatos “a dedo”. “O desafio das corporações é reconhecer e indicar, internamente, alguém que esteja inteirado das atividades”, alerta.
O especialista também tem notado avanços a partir do engajamento das empresas com seus stakeholders, que resultam em ações mais sustentáveis e transparentes. A Xerox é um exemplo. Após estudar a grande quantidade de impressoras de um de seus clientes, a empresa decidiu calcular e reduzir o número das máquinas, distribuindo-as em pontos estratégicos. Hoje, embora utilize menos os serviços da Xerox, o cliente consome menos energia. “Causar a queda de vendas dos próprios produtos não é uma tarefa fácil: precisa-se de muita coragem e desprendimento. No entanto, além de diminuir a pegada ecológica, atitudes como essa ganham a confiança dos clientes.” Outra tendência nesse campo é apostar no uso das redes sociais como ferramenta de fidelização e transparência com todos os públicos de interesse.
Para enfrentar os desafios da sustentabilidade, o consultor insiste que as empresas precisam “enxugar custos, ser criativas, espertas e engajadas” para a criação de um “valor verde”. E costuma citar uma frase para incentivar aqueles que ainda têm dúvidas – ou medo – de ousar em seus negócios nessa direção: “Se não formos nós, então quem? Se não for agora, então quando?”.
Para saber mais
Andrew Winston esteve em São Paulo, no dia 30 de agosto, a convite da Kimberly-Clark, empresa norte-americana de produtos de higiene pessoal e doméstica. Na ocasião, a empresa lançou o selo “Por um Brasil Mais Verde”, comunicando que toda a sua cadeia produtiva utiliza processos para reduzir os impactos no meio ambiente.
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