
Sempre interessado no futuro dos negócios, e na teia de variáveis relacionadas ao assunto, Prahalad escreveu obra que considero sua mais importante contribuição, A Riqueza na Base da Pirâmide, na qual apresenta reflexões sobre empresas que obtêm lucro ao vender para os mais pobres. Sem nunca ter se desligado de suas origens – nasceu na pobre Chennai, na Índia – ele defendia, com argumentos sólidos, a ideia de que estratégias de negócios podem, quando bem implementadas, eliminar a miséria. Nisso, sempre foi voz solitária entre os gurus da Administração. Mas a sua respeitabilidade e prestígio pessoal transformaram um ponto de vista estranho ao business as usual – e aos pensadores convencionais – em fonte de inspiração para os que disseminam a Responsabilidade Social Empresarial (RES). Ele fez questão de chamar a atenção para o “S” na RSE.
Frequentador assíduo das páginas da famosa Harvard Business Review, Prahalad vinha se debruçando com mais regularidade sobre a sustentabilidade nos negócios. Com os colegas Nidumolu Ram (CEO da InnovaStrat) e MR Rangswami (diretor do Eco Corporate Forum), redigiu artigo em setembro de 2009 relacionando, com o brilho habitual, o tema com a inovação. “Os executivos de empresas vivem divididos entre escolher os benefícios sociais do desenvolvimento de produtos e processos sustentáveis e os custos financeiros de fazer isso”, anotou, reforçando o que ele considerava uma “falsa” visão dicotômica centrada na mentalidade do “ou/ou”, como se não fosse possível ser rentável e sustentável ao mesmo tempo. “Nossos estudos com iniciativas de 30 grandes empresas apontam que a sustentabilidade representa um filão de inovações organizacionais e tecnológicas. Ao incorporar o respeito ao meio ambiente no negócio, a empresa reduz os insumos e, portanto, os custos. Além disso, um processo mais ambientalmente responsável gera receitas adicionais a partir de produtos melhores, permitindo criar novos negócios. Empresas inteligentes estão tratando a sustentabilidade como uma nova fronteira da inovação”, afirmou.
Com a clareza de um pensador íntegro e provocativo, o indiano deixa claro em seu texto que a sustentabilidade está começando a transformar o cenário competitivo. E que, portanto, forçará as empresas a mudarem seu modo de pensar e agir em relação a produtos, tecnologias, processos e modelos. “Ao tratar o tema como um objetivo, as empresas que largarem à frente desenvolverão competências e pressionarão seus concorrentes a também fazerem o mesmo. A vantagem competitiva estará no lugar certo. A sustentabilidade será vista, cada vez mais, como elemento de qualquer visão de desenvolvimento”, explicou um sábio Prahalad.
O caminho, no entanto, se impõe tortuoso. E a missão de percorrê-lo enfrenta ainda, como agravante, o fator crítico do tempo “que está passando. “Segundo o estudo de Prahalad, as empresas passam por cinco etapas com desafios específicos e adaptações nem sempre simples e rápidas. A primeira tem a ver com a identificação de uma oportunidade. A segunda diz respeito a tornar as cadeias de valor sustentáveis. A terceira refere-se a projetar produtos e serviços sustentáveis e a quarta a conceber novos modelos de negócio. A quinta corresponde a criar o que ele chama de “plataformas de próximas práticas”, capazes de quebrar paradigmas e dar um passo além do óbvio. “Para desenvolver inovações relacionadas a novas práticas, os gestores devem questionar as suposições implícitas nas atuais. Esse comportamento foi o que nos levou à economia industrial e aos serviços de hoje”, diz. Para ilustrar sua opinião, Prahalad lembra que as empresas criaram carros, aviões e submarinos ao se perguntar se poderíamos ter transportes sem cavalos, voar como pássaros ou mergulhar como baleias. “Devemos nos fazer perguntas relacionadas com nossos recursos escassos: podemos desenvolver detergentes sem água? Produzir arroz sem água? As embalagens biodegradáveis podem ajudar a semear árvores?”
O que Prahlad propôs, em resumo, é que sustentabilidade é inovação. E que não se inova sem romper com as amarras do passado, substituindo o modelo mental baseado na ideia da infinitude dos recursos, bem típica da era industrial, por outro que, aceitando os seus limites, incita o gênio humano a criar o futuro com as informações e os valores do futuro.
Prahalad, sem dúvida, vai fazer falta. Felizmente, suas ideias estão aí, muito vivas, registradas em suas obras, e prontas para germinar na mão de líderes de empresas líderes.






